No Brasil, os juros do cartão de crédito permanecem em patamares alarmantes. Em novembro, a taxa média do rotativo aumentou de 439,8% para 440,5% ao ano, conforme informações divulgadas pelo Banco Central nesta sexta-feira (26). No que se refere ao parcelado, a taxa subiu de 178,0% para 181,2% ao ano. Em termos gerais, considerando a soma das operações de rotativo e parcelado, houve um aumento de 90,2% para 91,2% nesse período.
Desde janeiro de 2024, a legislação que limita os juros do rotativo e do parcelado do cartão de crédito a até 100% do valor da dívida principal está em vigor. No entanto, os índices apresentados pelo Banco Central não indicam qualquer violação dessa norma. As taxas anuais são obtidas através da extrapolação estatística dos juros mensais e podem não refletir a realidade, uma vez que os consumidores frequentemente utilizam o rotativo por períodos curtos. A autoridade monetária ressalta que a série histórica continuará a ser disponibilizada, servindo como um importante referencial para monitorar a evolução dos juros no sistema financeiro.
Esse elevado nível de juros do cartão de crédito se insere em um cenário de aumento generalizado do custo do crédito. A taxa média de juros do crédito livre, tanto para famílias quanto para empresas, atingiu 46,7% ao ano em novembro, o maior índice desde abril de 2017, quando era de 48,3%. Em comparação com outubro, houve um acréscimo de 0,6 ponto percentual, e no acumulado do ano, a alta já chega a seis pontos percentuais. O crédito livre refere-se àquele em que as instituições financeiras têm liberdade para determinar a aplicação dos recursos obtidos no mercado.
Para as famílias, a taxa média do crédito livre subiu para 59,4% ao ano, com um aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior. No acumulado de 2025, a alta é de 6,3 pontos percentuais. Entre as empresas, a taxa recuou para 24,5% ao ano, uma diminuição de 0,6 ponto percentual no mês, embora ainda acumule um aumento de 2,8 pontos percentuais no ano.
Esse cenário se desenvolve no contexto de um ciclo de aperto monetário promovido pelo Banco Central, com o intuito de controlar a inflação. Em dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos.
O spread médio nas operações de crédito livre subiu de 32,4 pontos percentuais em outubro para 33,2 pontos em novembro. Entre pessoas físicas, o indicador aumentou de 44,6 para 45,7 pontos. No crédito direcionado, que utiliza recursos da poupança e do BNDES, o spread apresentou uma queda de 3,8 para 3,6 pontos.
A taxa de inadimplência no crédito livre foi de 5,0% em novembro, uma leve queda em relação aos 5,1% registrados em outubro. Para pessoas físicas, a inadimplência recuou de 6,4% para 6,3%. Entre as empresas, a taxa diminuiu de 3,0% para 2,9%. No total de crédito, que inclui tanto o livre quanto o direcionado, a inadimplência permaneceu estável em 3,8%.
As concessões de crédito apresentaram uma redução de 1,4% em novembro quando comparadas ao mês anterior, ajustadas sazonalmente. O crédito livre teve uma queda de 2,1%, enquanto o crédito direcionado aumentou em 6,9%.
O saldo total das operações de crédito no sistema financeiro cresceu 0,9% em novembro, alcançando R$ 6,972 trilhões. Em um período de 12 meses, o aumento foi de 9,5%. A relação entre crédito e Produto Interno Bruto (PIB) subiu de 55,0% para 55,1%.