Sheilla Castro, bicampeã olímpica pela Seleção Brasileira, compartilhou uma experiência intrigante sobre sua interação com o treinador José Roberto Guimarães. Durante uma entrevista ao Basticast, exibida no último domingo (21), a ex-jogadora revelou que sua relação com o técnico da Seleção Feminina de Vôlei passou por um período conturbado, que a levou a se abster de conversar com ele por um ano.
“Eu fiquei um ano sem trocar palavras com o Zé. Na época, eu tinha 24 anos e não concordava com algumas de suas decisões. Em vez de optar por uma conversa, que seria mais simples, eu decidi me afastar”, contou a ex-atleta.
Esse momento difícil ocorreu um ano antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. A temporada de 2007 foi marcada por uma sequência de derrotas da Seleção no Grand Prix, no Pan-Americano e na Copa do Mundo. Esses resultados negativos, aliados a questões pessoais, acabaram contribuindo para o desentendimento entre Sheilla e Zé Roberto.
“Isso aconteceu em 2007. Eu não falava com o Zé, não o cumprimentava, e durante as preleções eu evitava olhar para ele. Foi uma atitude bem imatura. O Zé já havia sido meu técnico na Itália, e eu o levei para lá. Eu realmente o admiro. Passei a temporada em um estado de irritação com ele. O que pareciam ser pequenas questões, na minha cabeça na época, eram enormes”, explicou.
“Naquele período, eu estava enfrentando um momento muito complicado na vida pessoal, minha avó havia sofrido o primeiro AVC, e isso tudo parecia amplificado. 2007 foi, sem dúvida, o ano mais desafiador que vivemos como Seleção. Perdemos tudo um ano antes das Olimpíadas. Com a perspectiva que temos hoje, sabemos que algumas jogadoras estavam lidando com depressão ou burnout”, completou a ex-jogadora.
Apesar do desempenho abaixo do esperado em 2007, o ano seguinte se tornou histórico para a Seleção Brasileira Feminina. Sheilla e sua equipe conquistaram a medalha de ouro nos Jogos de Pequim, e a oposta mineira foi reconhecida como a melhor jogadora da final.
Com 42 anos, Sheilla Castro é uma das figuras mais icônicas do vôlei brasileiro. A ex-atleta conquistou duas medalhas de ouro olímpicas (Pequim 2008 e Londres 2012), além de uma série de títulos no Grand Prix, na Copa dos Campeões e no Pan-Americano. Iniciando sua carreira no Mackenzie, ela defendeu equipes como Minas, Scavolini-ITA, São Caetano, Unilever, Osasco e Vakifbank-TUR, acumulando um impressionante histórico de conquistas.