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Reflexões sobre o ano que se despede e os desafios do ano que se inicia

•Foto: Amanda Perobelli – 02.abr.2020/Reuters

O encerramento do ano é um momento propício para refletir sobre os acontecimentos dos últimos meses e para traçar expectativas para o ciclo que se inicia. Na mídia, a análise frequentemente se concentra na economia, com muitos especialistas avaliando a realidade por meio da ótica financeira. Neste contexto, os analistas do mercado, especialmente os que atuam nas finanças, tendem a considerar o ano que passou como um período marcado por dificuldades.

A inflação superou as metas estabelecidas e os limites toleráveis de variação, com índices de 4,83% em 2024 e 4,4% em 2025, ainda considerados elevados. O crescimento do PIB foi modesto, e o déficit nas contas públicas aumentou em 2024 e 2025, em grande parte devido aos gastos do governo federal, o que deve resultar em um aumento da dívida pública para 78,6% do PIB. Em síntese, vivemos um cenário de baixo crescimento, juros elevados — com o Banco Central mantendo a taxa mais alta do mundo —, deterioração fiscal e uma inflação crescente, resultando em uma maior vulnerabilidade financeira para as famílias.

Entretanto, além dos números macroeconômicos, há outros aspectos que merecem destaque. O desemprego apresentou uma queda significativa, alcançando patamares históricos, a ponto de analistas sugerirem a redução do Bolsa Família devido à escassez de mão de obra disponível. Essa situação é um reflexo do programa, que, em muitos casos, oferece remunerações superiores às propostas pelas vagas disponíveis.

Por outro lado, a desigualdade de renda, que coloca o Brasil como o quinto país mais desigual do mundo segundo estudos do grupo de Piketty, também apresenta sinais de melhora. O IBGE revelou que o índice de GINI, que mede essa desigualdade, está em queda, impulsionado pelo dinamismo do mercado de trabalho e pelos programas sociais.

Embora a economia enfrente desafios, a população parece experimentar algumas melhorias. O Bolsa Família tem desempenhado um papel crucial na ruptura do ciclo da pobreza em um país marcado por desigualdades extremas, onde a pobreza está frequentemente associada ao sofrimento e à morte. Embora os economistas frequentemente atribuam a má performance econômica aos programas sociais, é inegável que tais políticas têm contribuído para a melhoria das condições de vida de parte da população carente.

Um estudo da FGV revela que, ao longo de dez anos, 70% dos jovens entre 15 e 17 anos deixaram de receber o Bolsa Família. Contudo, os efeitos dessa política de redistribuição de renda não são igualmente distribuídos, sendo menos eficazes entre a população negra, o que sugere a necessidade de programas específicos para mitigar as desigualdades raciais, como as políticas de cotas.

Quando analisamos a economia, percebemos que os interesses do capital frequentemente negligenciam o bem-estar das pessoas, focando apenas nos rendimentos financeiros. Isso pode resultar em políticas como a EC 95, implementada por Michel Temer após o impeachment de Dilma Rousseff, que prioriza o equilíbrio fiscal em detrimento de questões sociais prementes. A fixação de um teto para a inflação, como se o Brasil fosse um país desenvolvido com suas desigualdades já resolvidas, é um equívoco que persiste.

É certo que a inflação impacta mais os pobres, pois os ricos garantem seus rendimentos, tornando o controle inflacionário fundamental. No entanto, controlar uma inflação de 3% é distinto de lidar com uma de 5%. Para isso, é necessário adotar medidas adicionais que limitem as isenções fiscais para certos grupos e aprimorar a justiça fiscal, garantindo que os que ganham mais contribuam proporcionalmente mais.

Na área da educação, nosso gasto, frequentemente criticado por sua rigidez orçamentária, representa apenas 31% do que os países ricos da OCDE investem. Dados do relatório EDUCATION AT A GLANCE 2025, divulgado em setembro de 2025, mostram que os países da OCDE gastam em média cerca de US$ 12.438 por aluno, enquanto o Brasil investe apenas US$ 3.872. Esse investimento reduzido é um fator crucial na perpetuação das desigualdades sociais.

Além da educação, as despesas com saúde também são um ponto de estrangulamento orçamentário. O investimento brasileiro gira em torno de 10% do PIB, similar à média da OCDE, porém, a proporção de gastos é diferente: enquanto esses países alocam cerca de 60% para saúde, no Brasil, esse percentual é de apenas 40%, com a maior parte sendo destinada a despesas privadas, como medicamentos e serviços de saúde.

Apesar dos desafios, o Brasil tem se destacado em inovações, como a Estratégia da Saúde da Família e a atuação dos Agentes Comunitários de Saúde, que têm gerado resultados positivos, refletidos na redução de internações por doenças crônicas. Um estudo publicado na BMJ – The British Medical Journal, este ano, indicou que as populações atendidas por esse programa apresentaram uma queda de 11,89% nas internações por diabetes, hipertensão, asma e outras condições respiratórias.

O que se propõe aqui é uma nova perspectiva para a construção de uma sociedade mais justa. Primeiramente, é necessário definir o que entendemos por uma sociedade melhor, que deve, sem dúvida, ser mais equitativa, oferecendo oportunidades que garantam uma vida digna a todos. É isso que devemos buscar?

Controlar a inflação? Sem dúvida. E aumentar os investimentos para promover a igualdade social, reduzir as desigualdades raciais e fortalecer as áreas da saúde e educação.

Como alcançar esse objetivo? Em um regime autoritário, o resultado é previsível: os favorecidos levarão a maior parte. Em uma democracia, como observamos na Europa, a resposta está no voto consciente. Contudo, o atual Congresso brasileiro tem se mostrado um ambiente propício à perpetuação das desigualdades, com propostas que criam entraves à justiça social, como as recentes discussões sobre anistia e impunidade.

No novo ano, teremos eleições. Vamos limitar o debate a uma dicotomia entre direita e esquerda? Ou vamos discutir como construir uma sociedade mais justa e eleger representantes comprometidos com o desenvolvimento de um Brasil melhor?

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade