Em 2025, o Brasil atingiu um marco significativo com a maior quantidade de eventos de vendavais com ventos acima de 80 km/h desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 2002. Uma análise realizada pelo instituto indica um aumento considerável nas ocorrências ao longo dos últimos 20 anos.
Neste ano, foram registrados 117 episódios de ventos fortes, representando um crescimento de aproximadamente 89% em comparação a 2024, que contabilizou 62 eventos. Esse total é mais de quatro vezes maior do que a média anual observada na década anterior.
Os vendavais mais severos em 2025 foram predominantemente no Rio Grande do Sul, com destaque para Rio Pardo (147,6 km/h), Santiago (128,1 km/h) e Santo Augusto (127 km/h). Fora da região Sul, Altamira, no Pará, atingiu 140,4 km/h, enquanto São João del-Rei, em Minas Gerais, registrou 127 km/h.
César Soares, meteorologista da Climatempo, alerta que a tendência é de um aumento ainda maior dos ventos nos próximos anos, especialmente no contexto brasileiro, que enfrenta tempestades severas. “Precisamos nos preparar para essas condições meteorológicas”, enfatiza.
O especialista também relaciona o aumento dos vendavais a um crescimento geral dos fenômenos climáticos extremos. “Nos últimos anos, as ondas de calor têm sido mais intensas e prolongadas, com um aumento de tempestades severas e tornados. Os ventos não ficaram de fora desse padrão. Uma atmosfera mais aquecida proporciona mais energia para a formação dessas condições”, explicou.
Em dezembro, um ciclone extratropical que se formou no Rio Grande do Sul trouxe ventos fortes, resultando em um vendaval em São Paulo, que causou quedas de árvores, danos à rede elétrica e interrupções em serviços essenciais.
Na estação meteorológica do Inmet, localizada no Mirante de Santana, na zona norte da capital paulista, foi registrada uma rajada de 82,8 km/h. Embora abaixo do recorde de 101 km/h, registrado em 25 de novembro de 2010, o evento do dia 10 se destacou pela duração dos ventos: entre 9h e 16h, foram oito horas seguidas com rajadas superiores a 72 km/h, conforme dados do Instituto.
Na Lapa, na zona oeste, a velocidade recorde atingida foi de 98 km/h, a maior registrada em condições de tempo firme (sem chuva) desde o início das medições em 1963.