Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), foi preso ao tentar escapar do Brasil para o Paraguai. Durante sua detenção pelas autoridades no aeroporto, ele apresentou um documento médico que atesta sua condição de portador de um câncer cerebral agressivo, afirmando que não consegue falar ou ouvir.
O laudo, escrito em espanhol, indica que Vasques foi diagnosticado com glioblastoma multiforme grau IV, um tipo de câncer cerebral com prognóstico severo. Nele, o ex-diretor solicita que qualquer interação com as autoridades seja feita por escrito, já que sua condição o impede de se comunicar verbalmente e de entender instruções orais. “Não posso responder perguntas de forma falada. Se necessário, a comunicação pode ser feita por escrito”, declarou.
Além disso, Vasques mencionou ter autorização médica para viajar e para levar consigo medicamentos de uso contínuo. Ele relatou ter passado por sessões de radioterapia e quimioterapia em dezembro de 2025, em Foz do Iguaçu (PR), tratamento que teria causado lesões em sua cabeça, resultado dos efeitos colaterais da radiação.
O documento também destaca que ele estava a caminho de um procedimento de radiocirurgia, considerado um tratamento “moderno e eficaz” com o objetivo de “prolongar a vida”. Apesar de sua condição, Vasques afirmou estar lúcido e em condições adequadas para a viagem, além de estar apto a atender qualquer demanda das autoridades, respeitando suas limitações de comunicação. “Estou completamente lúcido, consciente e em condições clínicas adequadas para realizar a viagem, bem como para atender a qualquer necessidade ou exigência das autoridades competentes, dentro das minhas limitações de comunicação verbal e auditiva”, assegurou o ex-diretor.
Na declaração apresentada, ele informou que sua viagem era de Assunção, no Paraguai, até San Salvador, em El Salvador, em um voo da Copa Airlines, com o propósito específico de receber tratamento médico, sem uma data definida para o retorno ao Brasil.
Vasques foi preso preventivamente por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, após a Polícia Federal detectar indícios de que ele tentava fugir. A PF observou que a tornozeleira eletrônica utilizada por Vasques perdeu o sinal de GPS e, horas depois, também ficou sem conexão de dados. Na mesma noite, uma equipe da Polícia Penal de Santa Catarina confirmou que o apartamento e a vaga de garagem do ex-diretor estavam desocupados, indicando sua saída do País em direção ao Paraguai, onde foi capturado. Ele deve chegar a Brasília neste sábado.