Em resposta a perguntas sobre a operação da Polícia Federal (PF) que resultou na prisão de Adroaldo Portal, ex-número dois do Ministério da Previdência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (18) que a PF possui total autonomia para conduzir suas investigações e que não há proteção do governo a nenhum dos envolvidos, incluindo seus filhos.
“A decisão de investigar esse caso partiu do governo e, quanto à demora, preferimos agir com seriedade em vez de fazer espetáculos. Nossa controladoria levou quase dois anos para realizar a investigação, pois seria fácil apenas fazer uma denúncia sem a devida apuração”, explicou o presidente. “Se algum de meus filhos estiver envolvido, será investigado”, completou.
O senador Carlos Viana (PSD-MG), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, mencionou que uma testemunha relatou uma suposta parceria comercial entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, para atuar no Ministério da Saúde. No entanto, Lulinha, como é conhecido, não está entre os alvos da investigação da PF até o momento.
Nesta quinta-feira, a PF iniciou uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Portal teve sua prisão domiciliar decretada e foi imediatamente exonerado.
Além dele, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, foi alvo de um mandado de busca e apreensão. Portal já havia sido chefe de gabinete do senador, que tinha influência significativa na nomeação de cargos no Ministério e no INSS, incluindo a designação de André Fidelis para a diretoria de Benefícios do INSS em 2023. André foi preso em uma fase anterior da Operação Sem Desconto, em novembro.
Na mesma operação, foram presos preventivamente Eric Fidelis, filho de André, e Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes.
A empresária Roberta Luchsinger, herdeira de um ex-acionista do Credit Suisse, também foi alvo de busca e apreensão, sendo suspeita de colaborar com Antunes. Tentativas de parlamentares da oposição de aprovar quebras de sigilo telemático e fiscal em relação a Luchsinger, assim como um pedido de convocação dela, foram rejeitadas devido a manobras da base governista. Os opositores argumentaram que o objetivo era esclarecer as relações comerciais e financeiras entre ela e Antunes.
(Com O Globo)