Na quarta-feira (17), o dólar encerrou o dia com uma valorização de 1,09%, sendo cotado a R$ 5,5222 — o maior patamar desde 1º de agosto, quando fechou a R$ 5,5445. Em contrapartida, o Ibovespa, principal indicador da bolsa brasileira, apresentava uma queda de 0,97% por volta das 17h, alcançando 157.046 pontos.
Os investidores reagiram a uma série de fatores políticos e geopolíticos, em um dia marcado por uma agenda econômica com poucos dados significativos. As declarações de autoridades dos Estados Unidos e as perspectivas para a eleição de 2026 influenciaram o clima nos mercados.
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▶️ No âmbito internacional, espera-se que Donald Trump se manifeste à noite em sua rede social. Sua declaração ganha relevância frente ao aumento das tensões com a Venezuela. Na véspera, ele mencionou que o país estaria “completamente cercado” e determinou um bloqueio total a petroleiros que sejam sancionados, tanto na entrada quanto na saída.
▶️ O presidente dos EUA também acusou o governo venezuelano de se apropriar de petróleo e terras norte-americanas. Como resultado, os preços do petróleo subiram no mercado global: por volta das 17h, o barril do Brent para fevereiro aumentava 2,09%, sendo negociado a US$ 60,15, após ter registrado o menor preço desde fevereiro de 2021 na véspera.
▶️ Com a agenda local pouco movimentada, os investidores voltaram sua atenção para os pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) ao longo do dia. Christopher Waller falou pela manhã, seguido por John Williams e Raphael Bostic, em busca de indícios sobre a trajetória da economia americana.
▶️ No Brasil, uma nova pesquisa eleitoral da Genial/Quaest começou a impactar os mercados, à medida que a corrida presidencial de 2026 se torna mais relevante para os investidores. O levantamento, publicado na tarde anterior, mostrou o presidente Lula à frente, seguido por Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, sugerindo uma fragmentação entre os potenciais candidatos de centro-direita.
🔎 Especialistas do mercado acreditam que a manutenção do governo atual dificultaria a implementação de ajustes significativos nas contas públicas, o que afeta negativamente tanto o Ibovespa quanto a cotação do dólar.
▶️ Em meio a essa turbulência política, o Ibovespa caiu 2,4% na terça-feira, rompendo uma sequência de quatro dias em alta. O índice desvalorizou-se até 158.577 pontos após ter atingido uma máxima superior a 162 mil.
Abaixo, veja como esses elementos influenciam o mercado:
💲 Dólar
Acumulado da semana: +2,06%;
Acumulado do mês: +3,51%;
Acumulado do ano: -10,64%.
📈 Ibovespa
Acumulado da semana: -1,36%;
Acumulado do mês: -0,31%;
Acumulado do ano: +31,84%.
Pesquisa Quaest
Conforme analistas, a desvalorização da Bolsa brasileira na terça-feira é resultado de uma combinação de fatores políticos e econômicos que deixaram os investidores mais apreensivos e relutantes em adquirir ações.
No aspecto político, a divulgação da pesquisa Quaest foi recebida negativamente pelos investidores, que perceberam o governo atual mais fortalecido e uma oposição fragmentada, o que levanta preocupações sobre a estabilidade política futura.
De acordo com Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o resultado fez com que muitos investidores optassem por vender ações, exigindo juros mais altos para adquirir títulos do governo e buscando proteção no dólar.
Bolsas globais
As bolsas em Wall Street apresentaram pouca variação nesta quarta-feira, em um ambiente de cautela, enquanto os preços do petróleo se recuperavam parcialmente após uma forte queda ao longo do ano.
Nos primeiros negócios, o S&P 500 subiu 0,1%, após três dias consecutivos em baixa, permanecendo próximo de sua máxima histórica. O Dow Jones avançou 0,3%, com um ganho de 162 pontos por volta das 10h35, enquanto a Nasdaq oscilava em torno da estabilidade.
As ações do setor de petróleo lideraram os ganhos, impulsionadas pela decisão de Donald Trump de impor um bloqueio total a petroleiros sancionados da Venezuela.
👉 Essa medida intensifica a pressão sobre o país sul-americano, que possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo, e contribuiu para a alta da commodity no mercado internacional. O barril do petróleo WTI, referência nos EUA, subiu 1,4%, para US$ 55,92, um dia após ter alcançado o menor nível desde 2021. O Brent, referência global, também subiu na mesma proporção, atingindo US$ 59,76 por barril.
As bolsas asiáticas encerraram a quarta-feira em alta, interrompendo duas sessões de queda. Esse movimento foi impulsionado por ganhos significativos em ações ligadas à inteligência artificial, enquanto os investidores tentam decifrar os próximos passos da política monetária do Federal Reserve.
No fechamento, o índice de Xangai avançou 1,19%, atingindo 3.870 pontos, e o CSI300 cresceu 1,83%, alcançando 4.579 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,92%, atingindo 25.468 pontos. O Nikkei, em Tóquio, teve uma valorização de 0,26%, alcançando 49.512 pontos, enquanto Seul registrou um aumento de 1,43%, atingindo 4.056 pontos. Taiwan recuou 0,04%, a 27.525 pontos, e Cingapura caiu 0,10%, a 4.575 pontos.
*Com informações da agência de notícias Reuters.*