AO VIVO: Rádio JMV
--:--
26°C ☀️ Ensolarado
USD R$ --
BTC $ --
JMV News
Programa Atual
JMV News - Notícias e Atualizações em Tempo Real 24 horas
Luiza Possi canta louvor no Mais Você e é detonada: “Desconfortável” • Atlético altera nomenclatura de cargos de Bracks e executivos da SAF, mas mantém funções; entenda • Ju Isen detalha procedimento estético intenso: ‘Queimando’ • 4ª temporada de Ted Lasso ganha data de estreia e primeiro trailer • Zé Felipe se revolta na web após declarações de Piovani: “Ativista minha chibata” • Diretor do Shakhtar detalha relação do time com brasileiros: ‘Rapidamente’ • Bruno Gagliasso comenta estreia de Titi como modelo em passarela: “Orgulhoso e feliz” • Influenciadora revela que dá whey e creatina para filha de 3 anos e divide opiniões • Atitude da Globo na estreia de novo reality de Boninho viraliza na web • Uma nova mulher! Juju Salimeni muda o visual e surge com os fios mais claros • Luiza Possi canta louvor no Mais Você e é detonada: “Desconfortável” • Atlético altera nomenclatura de cargos de Bracks e executivos da SAF, mas mantém funções; entenda • Ju Isen detalha procedimento estético intenso: ‘Queimando’ • 4ª temporada de Ted Lasso ganha data de estreia e primeiro trailer • Zé Felipe se revolta na web após declarações de Piovani: “Ativista minha chibata” • Diretor do Shakhtar detalha relação do time com brasileiros: ‘Rapidamente’ • Bruno Gagliasso comenta estreia de Titi como modelo em passarela: “Orgulhoso e feliz” • Influenciadora revela que dá whey e creatina para filha de 3 anos e divide opiniões • Atitude da Globo na estreia de novo reality de Boninho viraliza na web • Uma nova mulher! Juju Salimeni muda o visual e surge com os fios mais claros •

Especialista em Antropologia Médica Enfatiza a Importância do Equilíbrio Ecológico para a Saúde Global

Foto: Andréa Batista/MPEG

Glenn Shepard, doutor em antropologia médica, sublinha a urgência de implementar políticas públicas que reconheçam a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental, especialmente diante das crises climáticas.

Uma imagem marcante do impacto de tais políticas é a de uma criança consumindo água filtrada na escola de uma comunidade indígena em Yomibato, localizada no Parque Nacional de Manu, no Peru. Foto: Glenn Shepard/Rainforest Flow.

Durante o evento intitulado “Mitigação do impacto das mudanças climáticas na saúde pública por meio da abordagem de saúde única”, realizado no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) durante a Conferência das Partes (COP30), ficou claro que as questões climáticas devem ser uma prioridade nas agendas de saúde pública. Especialistas de diversas partes do mundo compartilharam suas visões sobre como a harmonia ecológica é essencial para a saúde global e discutiram a preocupação internacional com doenças infecciosas, principalmente aquelas transmitidas por vetores e zoonoses, dada sua alta prevalência e os sérios impactos que causam à saúde e à economia.

Shepard, que atuou como relator do evento, mencionou que o grupo elaborou uma minuta de “declaração de consenso dos especialistas”, que enfatiza a importância de reconhecer a relação entre a saúde do planeta e a saúde ambiental. Sua pesquisa também aborda essa temática crucial.

O encontro híbrido, realizado em 12 de novembro no Campus de Pesquisa do MPEG, em Belém-PA, contou com a participação de especialistas de países como China, Filipinas, Indonésia, Marrocos e Brasil. Shepard destacou que muitos acadêmicos concordam que a perda da biodiversidade eleva os riscos para a saúde. As mudanças climáticas têm um impacto significativo na disseminação e na dinâmica de transmissão de doenças, influenciadas por alterações nos padrões de temperatura, precipitação, umidade e eventos extremos como inundações e secas, que afetam a ecologia dos vetores e sua interação com os hospedeiros.

Por exemplo, as abelhas desempenham um papel vital na polinização de diversas plantas, fundamentais para a nutrição humana. No entanto, o desmatamento e as monoculturas ameaçam sua sobrevivência. Shepard enfatizou: “Sem as abelhas, nossa alimentação está comprometida”.

Outro ponto amplamente discutido foi como as mudanças climáticas, especialmente o aumento da temperatura, alteram o comportamento de doenças como a malária e a dengue. A fragmentação de habitats também afeta as relações entre predadores e presas, impactando a saúde humana.

“A crescente incidência da dengue exemplifica os efeitos das mudanças climáticas na saúde. Pesquisadores notaram que a expansão de assentamentos humanos nas florestas, o armazenamento de água devido a secas e inundações, e o aumento da temperatura encurtam o ciclo de vida do mosquito, elevando a transmissão da doença. Em relação à malária, embora as mortes globais tenham diminuído entre 2000 e 2023 graças a esforços preventivos, esses números começaram a subir novamente a partir de 2023. O aumento de eventos climáticos extremos e secas intensas favorecem a transmissão da malária, afetando, por exemplo, algumas espécies de carapanã”, explicou.

Os especialistas defendem uma abordagem multidisciplinar que integre ciência climática, biologia de vetores, saúde pública e conservação, por meio de políticas coordenadas em níveis nacional e internacional.

Shepard também destacou a preocupação expressa por Carlos Nobre, renomado cientista e meteorologista, na conclusão do evento no Museu Goeldi durante a COP30. Nobre alertou sobre a possibilidade de que uma doença atualmente restrita a áreas remotas da Amazônia possa se tornar uma pandemia global, devido à degradação do bioma, desmatamento, tráfico ilegal de madeira e expansão da agropecuária.

Durante o evento, Shepard sublinhou ainda os custos econômicos relacionados à perda da biodiversidade e seu impacto na saúde humana e ecológica. Ele mencionou que essa perda pode chegar a até 25% do produto bruto global, enquanto, paradoxalmente, existem 1,7 trilhões de dólares em subsídios para atividades que contribuem para a destruição ambiental, como a extração de petróleo e práticas agrícolas insustentáveis.

“É como se os governos estivessem financiando a destruição da saúde. Essa é uma contradição. Nesse contexto, surgiram propostas para expandir o conhecimento sobre a abordagem de saúde única. No Brasil, essa perspectiva está crescendo entre os pesquisadores de saúde pública, mas ainda não é amplamente aceita por médicos e políticos”, afirmou.

Os especialistas também expressaram preocupação com o uso excessivo de antibióticos na pecuária, que pode aumentar a resistência microbiana. A previsão é de que esse uso cresça em 30% até 2040, criando condições propícias para a disseminação de organismos resistentes. Cerca de 100 países, incluindo a China, já implementaram iniciativas voltadas para a pecuária sustentável, reduzindo o uso de medicamentos e promovendo conexões entre produção de alimentos e incentivos econômicos. O grupo discutiu como essas práticas poderiam ser inspiradoras para uma agropecuária mais sustentável no Brasil.

Shepard concluiu que o encontro na COP não esgotou a discussão sobre a necessidade de uma visão integrada da saúde; ao contrário, reacendeu preocupações e sugeriu caminhos a seguir. Entre as propostas estão a mobilização de cientistas e a sociedade civil para sensibilizar governos sobre a importância de políticas climáticas que beneficiem a saúde humana, animal e dos ecossistemas; a elaboração de um documento com recomendações acordadas pelos especialistas em saúde única; e a criação de museus dedicados à saúde única em cada bioma, com o Museu Goeldi como um potencial modelo para a Amazônia.

Sobre a minuta da “declaração de consenso dos especialistas”, Shepard explicou que a construção do documento foi uma iniciativa do evento, visando fortalecer a abordagem de saúde única nas respostas às mudanças climáticas.

“Houve uma sugestão, por parte dos especialistas brasileiros, de apresentar esse documento ao Ministério da Saúde, que, ao contrário do que acontece em outros países, está aberto a estratégias de saúde complementares e holísticas, incluindo práticas como a medicina ayurvédica, medicina indígena, medicina tradicional brasileira e a abordagem de saúde única. Existe a expectativa de que essa visão seja promovida”, concluiu o antropólogo.

Entre os pontos acordados no encontro, está a observação de Shepard sobre as interconexões entre saúde animal e humana, reafirmando o valor da saúde única. Atuando no Museu Goeldi desde 2009, Shepard tem se dedicado a pesquisar etnologia indígena, etnoecologia, etnobiologia e antropologia médica com comunidades tradicionais da Amazônia. Ele também faz parte do projeto Rainforest Flow, que opera no Peru e tem investigado as mudanças na saúde das comunidades após a implementação de sistemas de filtragem de água com pedras e areia.

Shepard percebeu que simplesmente oferecer medicação e água potável não é suficiente sem considerar a saúde dos animais e do meio ambiente. Embora os dados epidemiológicos indicassem redução em doenças veiculadas pela água, como diarreias, um aumento nas zoonoses (doenças transmitidas por animais) foi observado.

“É necessário aprofundar as pesquisas, mas os dados sugerem que, além do tratamento humano, intervenções veterinárias e de higiene são cruciais, pois o ambiente favorece a contaminação e a recontaminação de doenças, especialmente zoonoses”, concluiu.

*Com informações do Museu Goeldi.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade