Desde sua estreia, a novela “Três Graças” tem recebido diversos elogios nesta coluna, merecendo assim as críticas positivas. A trama é bem elaborada e envolvente, com protagonistas cativantes e um elenco, em sua maioria, bem escolhido. A direção se destaca pela criatividade e os episódios são recheados de ganchos atrativos. No entanto, há um aspecto em que a novela peca: a diversidade.
Considerando que a narrativa se passa em São Paulo, é, no mínimo, curioso que a produção não inclua um número adequado de personagens de origem asiática. A capital paulista abriga uma significativa população de imigrantes japoneses, chineses e coreanos, além de suas descendências. É seguro afirmar que a maior parte dos paulistanos tem laços com pessoas de raízes asiáticas em seus relacionamentos sociais ou profissionais. Por que essa realidade não é refletida em “Três Graças”?
A incoerência se torna ainda mais evidente quando lembramos que uma das principais locações da novela é o casarão da antagonista Arminda (Grazi Massafera), situado no bairro da Aclimação, que possui uma alta concentração de moradores de origem asiática. Podem tentar justificar a falta de personagens asiáticos no elenco mencionando que a novela, em sua concepção inicial, se passaria no Rio de Janeiro. No entanto, esse argumento não se sustenta. A novela “Volta Por Cima”, que foi ao ar entre o final de 2024 e meados de 2025, também tinha o Rio como cenário, mas incluía vários personagens asiáticos. Até mesmo “Vale Tudo” contava com uma personagem de origem asiática, interpretada pela atriz Bruna Aiiso.
Em “Três Graças”, há diversos personagens que poderiam ser interpretados por atores descendentes de asiáticos, como Juquinha (Gabriela Medvedovski), Cláudia (Lorrana Mousinho), Xênica (Carla Marins) e Herculano (Leandro Lima). Se a direção fosse mais arrojada, Paulinho (Rômulo Estrela) e Zenilda (Andreia Horta) também poderiam ser representados por artistas de origem asiática.
Ainda restam pelo menos cinco meses de exibição de “Três Graças”, e há tempo suficiente para corrigir essa falha. Se há espaço para incluir Viviane Araújo no elenco, certamente há oportunidade de escalar atores descendentes de japoneses, chineses e coreanos para enriquecer a trama.