Recentemente, a jornalista Carla Bittencourt compartilhou que, após um hiato de cinco anos, a Globo está planejando reimaginar “Malhação” como um drama vertical, com episódios curtos, voltado para consumo nas redes sociais da emissora. Essa proposta é intrigante e demonstra a intenção da Globo de se conectar com as gerações Z e Alpha, seguindo uma tendência global em ascensão. No entanto, essa estratégia destaca um desafio que aflige não apenas a Globo, mas toda a TV aberta: a dificuldade em atrair um novo público, já que a faixa etária dos telespectadores só aumenta com o passar do tempo.
Por serem conteúdos independentes e desvinculados da programação tradicional, as novelinhas verticais não conseguem criar um elo com os espectadores da TV aberta. Assim, esses microdramas podem não ser eficazes para engajar uma audiência que não desenvolveu o hábito de assistir televisão.
Nesse contexto, seria mais vantajoso considerar o retorno de “Malhação” para a TV aberta, que atualmente carece de produções voltadas para adolescentes e jovens adultos. Além de contribuir para a formação de um público para a teledramaturgia diária, “Malhação” sempre se destacou pelo seu custo acessível. A série não demandava um investimento exorbitante e ainda funcionava como uma plataforma para revelar novos talentos e capacitar roteiristas e colaboradores para novelas convencionais. Muitos dos atores que hoje se destacam nas produções da Globo iniciaram suas carreiras em “Malhação”, como Marjorie Estiano, Cauã Reymond, Agatha Moreira, Nicolas Prattes, Nathália Dill e Felipe Simas, entre outros.
Com a exibição diária de “Malhação”, seria viável também desenvolver spin-offs de dramas verticais focados nas redes sociais, utilizando os personagens mais queridos como protagonistas. O mais interessante é que esses microdramas já começariam com uma base de audiência, facilitando o engajamento e o sucesso desses novos projetos.