O filme “Tremembé”, disponível na plataforma Prime Video, revela os supostos bastidores da transferência de Suzane von Richthofen para o presídio que dá nome à produção. Baseada em relatos extraídos das obras do jornalista Ullisses Campbell, a narrativa ilustra a interação entre Suzane e o promotor Eliseu José Berardo Gonçalves, que autorizou sua mudança para Tremembé em 2006. Na realidade, ele enfrentou punições após uma denúncia feita pela detenta.
De acordo com o livro “Suzane: Assassina e Manipuladora”, escrito por Campbell, o primeiro contato entre Suzane e o promotor ocorreu após ela formalizar uma denúncia ao Ministério Público, alegando que estava sendo ameaçada de morte por outras prisioneiras na Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto.
Semanas depois, ao encontrar o promotor nos corredores do estabelecimento, Suzane teria pedido pessoalmente por sua ajuda. O ponto decisivo dessa aproximação foi uma audiência agendada por Eliseu para investigar as ameaças.
A obra de Campbell relata que o promotor teria feito um pedido inusitado: “Um beijo”. A reação de Suzane, segundo a publicação, foi sarcástica: “Primeiro a transferência, depois o pagamento”.
Uma reportagem da Folha de S. Paulo, de 2010, confirmou que Suzane relatou a uma juíza que o promotor tentou seduzi-la em seu gabinete. Durante a investigação, ela afirmou que Eliseu teria oferecido auxílio e tocado uma música romântica ao recebê-la em seu escritório, em 2007.
Esses episódios culminaram em uma ação disciplinar contra o promotor. A Corregedoria Geral do Ministério Público Estadual decidiu aplicar uma suspensão de 22 dias ao magistrado, considerando sua conduta inadequada ao “tentar seduzi-la na Promotoria”. Em sua defesa, o promotor alegou que muitas das provas eram falsas e que as testemunhas “mentiram descaradamente” sobre o ocorrido.