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** Mudanças nas Gigantes do Cinema: Warner, Discovery e Paramount em Um Novo Rumo

Imagem: AaronP/Bauer-Griffin/GC Images

** Se você costuma notar as vinhetas dos estúdios antes de assistir a um filme, tem um conglomerado de mídia de sua preferência ou simplesmente se interessa pelos bastidores da indústria do entretenimento, é hora de ficar atento. Transformações significativas estão em andamento, envolvendo três grandes nomes: Paramount, Warner Bros. e Discovery. Essas mudanças prometem impactar o mercado e o futuro de várias franquias renomadas.

Recentemente, a Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) aprovou a fusão entre a Paramount Global e a Skydance Media, uma transação que já havia sido discutida anteriormente nesta coluna. Essa aprovação era essencial, uma vez que a operação envolve a CBS, uma emissora de televisão aberta nos Estados Unidos. Críticos levantaram preocupações de que essa fusão poderia ter contribuído para o cancelamento do programa The Late Show, apresentado por Stephen Colbert, que é conhecido por suas críticas ao governo de Donald Trump.

A expectativa é que a fusão seja finalizada até 7 de agosto, gerando assim a Paramount Skydance Corporation, que será liderada por David Ellison, filho do bilionário Larry Ellison, fundador da gigante tecnológica Oracle. Com essa mudança, Ellison assumirá a gestão da Paramount Pictures, um dos estúdios mais tradicionais de Hollywood, responsável por franquias como “Missão: Impossível” e “Transformers”, além do serviço de streaming Paramount+ e marcas icônicas como MTV e Nickelodeon, que antes eram sinônimo de TV por assinatura.

O valor total dessa transação é de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 45 bilhões). Em 2023, a Paramount enfrentava uma dívida de longo prazo de aproximadamente US$ 14 bilhões (R$ 78 bilhões). Diante desse panorama, é compreensível questionar por que o herdeiro do quarto homem mais rico do mundo está investindo em uma estratégia tão audaciosa.

**O Declínio de um Império**
A Paramount, como a conhecemos hoje, foi moldada pelo modelo tradicional de magnatas da mídia nas décadas de 1980 e 1990. Sumner Redstone, na época proprietário da National Amusements, iniciou uma série de aquisições no setor de entretenimento, criando um império verticalmente integrado que unia cinemas, estúdios, programadoras de canais pagos e uma das quatro principais redes de televisão aberta dos EUA.

Contudo, o cenário mudou drasticamente a partir de 2010, quando Redstone, já com mais de 90 anos, tomou decisões controversas e se envolveu em disputas familiares sem agir com a agilidade necessária. Ele faleceu em 2020. Antes disso, sua filha, Shari Redstone, assumiu a liderança do conglomerado, mesmo sem o título de CEO. Sob sua direção, a empresa fez uma transição tardia em direção ao streaming, primeiro adquirindo a Pluto TV e reformulando a CBS All Access, que agora é chamada de Paramount+. Entretanto, concorrentes como Netflix, Amazon e Disney já haviam avançado significativamente nesse mercado, deixando a Paramount em desvantagem.

O que David Ellison assume agora é uma plataforma de streaming com cerca de 67 milhões de assinantes, um número modesto em comparação aos mais de 300 milhões da Netflix. A Pluto TV, que liderou o segmento de canais gratuitos com programação linear via internet, perdeu espaço para concorrentes como Tubi e Samsung TV Plus. Marcas tradicionais do grupo, como MTV, Comedy Central e Nickelodeon, não conseguiram se adaptar à transição digital e viram suas programações deteriorarem-se em um mercado de TV por assinatura cada vez mais irrelevante. No cinema, a situação também é preocupante: a Paramount lançou 17 filmes em 2022, 13 em 2023 e prevê apenas 10 para 2025, com a expectativa de cair para seis em 2026.

Entretanto, nem tudo está perdido. O novo proprietário é conhecido por sua paixão pelo cinema, com a Skydance consolidando-se em Hollywood, e possui capital suficiente para investir. Além disso, a Bloomberg reporta que a Oracle deve assumir toda a parte de nuvem da Paramount após a fusão, em um contrato avaliado em US$ 100 milhões (R$ 561 milhões). A grande questão que se coloca é: será que devem continuar investindo em streaming ou seria mais sensato buscar parcerias ou até mesmo encerrar operações nesse setor?

**Mudanças na Paramount**
A nova Paramount Skydance Corporation possui alguma margem para manobras financeiras, seja por meio da redução de custos ou pela venda de ativos. Parte desse potencial adquire-se através da National Amusements, que controla redes de exibição de filmes, incluindo a UCI Cinemas no Brasil. Esses espaços podem ser vendidos individualmente ou até mesmo representar uma oportunidade de venda do negócio como um todo.

Uma certeza é que a nova gestão almeja realizar cortes anuais de despesas na ordem de US$ 2 bilhões (R$ 11 bilhões), o que pode resultar em demissões significativas. Nesse contexto, para se destacar, são necessários investimentos substanciais, incluindo em eventos esportivos ao vivo. No Brasil, por exemplo, o Paramount+ decidiu abrir mão dos direitos de transmissão da Copa Libertadores a partir de 2026.

O cerne dessas decisões são os canais por assinatura, que enfrentam um declínio acelerado em receita, enquanto a confusão interna nos últimos anos afetou a programação. No Brasil, a Disney praticamente se retirou do setor, mantendo apenas os canais ESPN. E, claro, há também o polêmico fator “South Park”. Após a empresa anunciar um novo acordo de US$ 1,5 bilhão para os próximos cinco anos, garantindo os direitos de exibição da série pelo Paramount+ nos EUA, um episódio controverso retratou o ex-presidente Donald Trump de maneira provocativa, intensificando os debates sobre as possíveis consequências políticas para o grupo.

**O Futuro da Warner e Discovery**
Enquanto a fusão toma conta de Hollywood, na vizinha Burbank, o foco é a divisão. A Warner Bros. Discovery (WBD), que surgiu em 2022 a partir da união da WarnerMedia, anteriormente controlada pela AT&T, e da Discovery, anunciou recentemente novos detalhes sobre seus planos futuros.

A fusão foi liderada por David Zaslav, CEO da Discovery, que assumiu a gestão da nova entidade. O objetivo dos executivos e investidores, incluindo John Malone, da Liberty Media, era criar um conglomerado robusto o suficiente para competir com a Netflix, unindo o estúdio de cinema responsável por franquias como “Harry Potter” e “Batman” com a prestígio das produções da HBO e a popularidade dos reality shows.

No entanto, essa estratégia não teve sucesso. Desde o anúncio da fusão, o grupo perdeu mais da metade de seu valor de mercado. A partir de 2026, a estrutura será desmembrada: de um lado, surgirá a nova Warner Bros. Corporation, que manterá o estúdio de cinema, a HBO, a plataforma HBO Max, a DC Comics e um vasto acervo de filmes e séries. Do outro lado, será criada a Discovery Global, que reunirá os canais de TV por assinatura e herdará uma dívida pesada de US$ 38 bilhões (R$ 213 bilhões).

Essa mudança visa proporcionar agilidade e capacidade de investimento no que os líderes acreditam serem as direções corretas para o futuro. No âmbito do cinema, isso representa o reinício do Universo DC, com “Superman” marcando o início. O retorno financeiro tem sido modesto, com o filme arrecadando cerca de US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,8 bilhões), mas com avaliações suficientemente positivas para garantir continuidade nas produções futuras.

Enquanto isso, o HBO Max conquistou um espaço considerável no mercado, com 125 milhões de assinantes, mas ainda carece de um crescimento significativo. A mudança de nome para Max, que acabou revertida, não contribuiu para o sucesso. A união com outro competidor de proporções semelhantes ou menores, talvez até com o próprio Paramount+, pode ser um caminho viável.

Por outro lado, a separação da Discovery pode abrir portas para licenciamento de suas produções e para colaborações com outros grupos e plataformas de streaming. A nova empresa já se apresenta com um viés global, resultado de anos de expansão da antiga Discovery e da Turner Broadcasting System, adquirida pela Time Warner nos anos 90.

Uma fusão com outro conglomerado ou a venda para investidores pode representar uma sobrevida de alguns anos. A questão que permanece é: ainda há espaço para marcas icônicas como Discovery e Cartoon Network em um mundo que se afasta da TV paga? Será que essas empresas não estão perdendo tempo demais em consolidações que não geram resultados?

Essas são perguntas que valem bilhões. Siga Renan Martins Frade nas redes sociais ou entre para o grupo no WhatsApp.

Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade