Dexter Morgan é um daqueles personagens que se tornam difíceis de esquecer. Desde a estreia da série em 2002, ele conquistou os fãs e, mesmo após o encerramento da trama original em 2013, continua a ressurgir. A primeira volta foi em “New Blood”, em 2021, e agora ele retorna em “Ressurreição”, que será lançado no Paramount+.
Como Michael C. Hall assume o papel pela terceira vez, não é surpresa que o assassino em série que busca justiça não encontrou seu fim em “New Blood”. Na verdade, ele precisa voltar a agir para apoiar seu filho, Harrison, que carrega o peso do trauma e da complexa herança que seu pai deixou.
“O personagem está enraizado em mim, pois passei muito tempo vivendo sua história. Agora, com essa nova chance, tudo parece revigorado. É como se estivesse reconectando com quem ele era quando o conhecemos”, comentou Michael C. Hall durante uma entrevista à Splash.
Juntamente com C. Hall, David Zayas retorna ao papel do detetive Angel Batista, mas agora, a dinâmica muda, pois é Batista quem está em busca de Dexter. “Não sabia exatamente o que esperar, pois nunca havia retornado a um papel dessa forma. Contudo, com a experiência que adquiri ao longo dos anos e as novas nuances do Batista, foi como reencontrar um velho amigo após 20 anos, mas com raízes mais profundas.”
“Dexter” foi lançado antes do recente boom do gênero true crime. Enquanto hoje debatemos a possibilidade de amar um anti-herói, naquela época era comum torcer por Dexter Morgan, mesmo sendo ele um assassino em série. Para Michael C. Hall, essa dualidade é parte do que torna a série fascinante, navegando por uma “zona cinza”. “É subversivo fazer com que o público torça por alguém que não deveria. Suas vítimas ‘facilitam’ isso, mas nunca quis sentir o estresse que ele vive. A série aborda a ideia de ‘justiça vigilante’, mas sem necessariamente apoiá-la.”
Apesar de ser considerada uma produção “subversiva” pelo próprio protagonista, não se pode negar o imenso fandom de “Dexter”, que continua forte até hoje. “O streaming trouxe novos fãs, pessoas que acabaram de assistir e estão completamente viciadas. Essa é a essência de ‘Dexter’: novas gerações se encantando pela história.”
Por ser uma série repleta de assassinatos, incluindo a morte de personagens significativos, é natural que ela deixe “marcas” nos espectadores. No caso de “Dexter”, isso vai além, afetando até mesmo os atores.
Quando questionado sobre as mortes que o marcaram, Michael C. Hall não hesita em lembrar da emblemática morte de Rita, interpretada por Julie Benz. Ela é assassinada ao final da quarta temporada por Arthur Mitchell, o Trinity Killer, e é encontrada por Dexter em sua casa, coberta de sangue, com o filho Harrison ao lado, em desespero.
Outra morte que ainda ressoa é a da irmã de Dexter, Debra Morgan, um evento impactante tanto para C. Hall quanto para Zayas. Debra morre no final da oitava temporada, após ser baleada por Oliver Saxon, e, em um momento dramático, Dexter é forçado a desligar os aparelhos que a mantinham viva quando ela é declarada com morte cerebral.