Aproveitando o impulso gerado pela estreia do filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, no festival de Cannes no último fim de semana, e a onda de reconhecimento que o cinema brasileiro vem experimentando ultimamente, decidi apresentar uma seleção de outras obras audiovisuais nacionais. Isso serve para desmistificar de uma vez por todas a ideia de que o audiovisual brasileiro é ruim, entediante ou qualquer outro rótulo negativo que costumam atribuir a ele.
Assim como apreciamos clássicos da Europa e dos Estados Unidos, e aguardamos ansiosamente os lançamentos de filmes baseados em histórias consagradas, o cinema brasileiro possui uma riqueza e diversidade que se igualam. Estou aqui para demonstrar isso!
**”O Pagador de Promessas” (1962) – disponível no Globoplay e Prime Video**
O primeiro (e até agora, único) filme brasileiro a receber a Palma de Ouro em Cannes. Um drama intenso que aborda fé, sacrifício e desigualdade, permanecendo relevante mesmo após seis décadas.
**”Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976) – disponível no Globoplay e MUBI**
Com Sônia Braga e Jorge Amado, este triângulo amoroso envolvendo um fantasma é uma mistura de humor, sensualidade e realismo mágico, tornando-se um dos maiores sucessos de bilheteira da história do Brasil.
**”O Auto da Compadecida” (2000) – disponível no Globoplay**
Uma obra que combina humor popular com uma essência literária. João Grilo e Chicó atravessam o sertão e a vida após a morte nesta adaptação icônica da peça de Ariano Suassuna, um clássico moderno amado por várias gerações, que recentemente ganhou uma sequência de grande sucesso.
**”Que Horas Ela Volta?” (2015) – disponível na Netflix e Telecine**
Um retrato delicado e incisivo da desigualdade de classes no Brasil, narrado através da relação entre uma empregada e sua filha. Regina Casé brilha em um dos maiores sucessos do cinema nacional recente.
**”O Diabo Mora Aqui” (2015) – disponível na Amazon Prime Video**
Neste filme de terror, quatro jovens decidem passar um fim de semana em um antigo casarão no interior de São Paulo. Eles descobrem a sombria história do Barão do Mel, um “senhor de escravos” conhecido por suas atrocidades. Ao realizarem um ritual ancestral, despertam forças sobrenaturais ligadas a uma maldição que remonta à época da escravidão.
**”Ninguém Tá Olhando” (2019) – disponível na Netflix**
Nesta comédia fantástica, Uli, um recém-chegado ao Sistema Angelus, se rebela contra as ordens arbitrárias que recebe, desafiando as fronteiras entre o bem e o mal, em uma reflexão sobre as regras celestiais.
**”Senna” (2024) – disponível na Netflix**
Minissérie biográfica em seis episódios que narra a vida e a carreira do icônico piloto brasileiro Ayrton Senna, desde seus primeiros passos no kart até a consagração na Fórmula 1, abordando suas conquistas, rivalidades, especialmente com Alain Prost, e momentos pessoais marcantes, culminando na tragédia de Ímola em 1994.
**”Amor da Minha Vida” (2024) – disponível no Disney+**
Bia e Victor são melhores amigos que compartilham sonhos e desilusões amorosas. Enquanto Bia se envolve em relacionamentos passageiro, Victor vive um namoro sem graça. A série explora a evolução dessa amizade e a possibilidade de um romance, refletindo sobre os dilemas contemporâneos do amor e da vida adulta.
**”Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa” (2025) – disponível na Amazon Prime Video**
Um dos meus filmes brasileiros favoritos recentes! Nesta encantadora aventura live-action, Chico Bento e seus amigos tentam salvar a amada goiabeira do Nhô Lau da construção de uma estrada. Com um elenco carismático e uma adaptação fiel dos quadrinhos de Mauricio de Sousa, o filme é repleto de humor, emoção e uma mensagem ecológica.
E o audiovisual brasileiro vai muito além do cinema, com produções sonoras que têm se destacado, como audiodramas e documentários em áudio.
**”Projeto Humanos: O Caso Evandro” (2018) – disponível no Spotify e em outros players de podcast**
Esta temporada investiga o desaparecimento e assassinato do menino Evandro Ramos Caetano em 1992, em Guaratuba, Paraná. O podcast analisa confissões, possíveis torturas e falhas no sistema judicial, oferecendo uma perspectiva crítica sobre o caso.
**”Praia dos Ossos” (2020) – disponível no Spotify e em outros players de podcast**
Este podcast documental revê o assassinato da socialite Ângela Diniz em 1976 e a mobilização feminista que pressionou pela condenação do réu. A série examina como a sociedade brasileira trata a violência contra a mulher.
**”A Mulher da Casa Abandonada (2022)” – disponível no Spotify e em outros players de podcast**
Apresentado por Chico Felitti, investiga a vida de Margarida Bonetti, acusada de manter uma empregada doméstica em condições análogas à escravidão. A série aborda racismo, impunidade e os ecos da escravidão na sociedade brasileira.
**”Eles Estão Aqui” (2023) – disponível no Spotify, Globoplay e outros players de podcast**
Um audiodrama que resgata a essência das radionovelas, misturando ficção científica e suspense, com uma narrativa envolvente que captura a atenção do ouvinte.
**”Depois que Tudo Mudou” (2023) – disponível no Spotify e em outros players de podcast**
Uma comédia romântica que acompanha três adolescentes pretos e queer em Salvador, Bahia, lidando com suas experiências e descobertas após a pandemia. A série trata de sexualidade, amizade e identidade, enquanto os personagens aprendem a lidar com suas próprias lutas.
**”Angola Janga” (2024) – disponível no Audible**
Baseado na graphic novel de Marcelo D’Salete, este audiodrama narra a história do Quilombo dos Palmares, abordando resistência, liberdade e identidade afro-brasileira de maneira emocionante.
Se, após explorar essa seleção, você ainda achar que o audiovisual brasileiro é entediante ou de má qualidade, volte aqui para conversarmos e eu vou te indicar obras até que você encontre uma que te faça perceber que, assim como o nosso país, o audiovisual brasileiro é vasto e incrivelmente interessante! E, para ser transparente, algumas dessas produções têm meu envolvimento, então se você aprecia esta coluna, certamente vai gostar de algumas delas também.