O transtorno bipolar é uma condição mental marcada por oscilações intensas de humor, que alternam entre episódios de depressão e períodos de euforia, conhecidos como mania ou hipomania. A condição não surge com frequência na infância e dá seus primeiros sinais já na vida adulta.
De acordo com o psiquiatra Bruno Pascale, do Rio de Janeiro, o transtorno bipolar costuma surgir principalmente entre os 15 e os 35 anos de idade. No entanto, ele alerta que a condição pode aparecer em qualquer fase da vida, inclusive antes dos 15 ou após os 60 anos.
O transtorno bipolar se caracteriza por dois polos principais: a depressão e a mania. Segundo Pascale, muitos pacientes apresentam inicialmente quadros depressivos que não respondem bem ao tratamento com antidepressivos, o que pode atrasar o diagnóstico correto.
A depressão chamada de refratária tende a ser mais intensa, com isolamento, alterações de sono e ganho de peso. Já nos episódios de mania ou hipomania, a pessoa pode apresentar aumento de energia, necessidade reduzida de sono, impulsividade, gastos excessivos e maior exposição a situações de risco.
Essa alternância nem sempre é percebida com facilidade, fazendo com que o transtorno bipolar seja confundido com depressão unipolar.
A psicóloga Larissa Fonseca, de São Paulo, destaca que os primeiros sinais do transtorno bipolar costumam ser sutis e frequentemente interpretados como traços de personalidade ou fases passageiras.
Segundo ela, o que passa despercebido é justamente a alternância entre esses estados, que não é constante e pode ser confundida com estresse ou até produtividade elevada.
Embora mudanças de humor façam parte da vida, no transtorno bipolar elas são mais intensas, duram mais tempo e impactam diretamente o funcionamento da pessoa.
“Não é apenas sentir-se mais animado ou triste. No transtorno bipolar, há prejuízo no julgamento, impulsividade e alterações importantes no comportamento e no sono”, explica Larissa. Episódios de mania ou hipomania podem durar dias ou semanas, assim como os períodos depressivos, trazendo prejuízos nas relações pessoais e profissionais.
O tratamento do transtorno bipolar envolve o uso de estabilizadores de humor e, em alguns casos, outros medicamentos. A psicoterapia também é essencial para ajudar o paciente a identificar sinais precoces e manter a estabilidade emocional.
A adesão ao tratamento é um dos principais desafios, já que muitos pacientes interrompem a medicação ao se sentirem melhor, o que favorece novas crises.
Manter uma rotina com sono regulado, reduzir o estresse, evitar álcool e cuidar da saúde física são medidas fundamentais para o controle do transtorno bipolar. Apesar de ser uma condição crônica, o transtorno pode ser controlado com acompanhamento adequado, permitindo uma vida mais equilibrada e funcional.
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Psiquiatra aponta em qual idade costuma surgir o transtorno bipolar
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