Muitas pessoas vivem sem saber que possuem o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o TDAH é um dos transtornos mentais mais comuns e afeta de 5% a 8% das crianças no mundo, principalmente meninos. A falta de diagnóstico precoce compromete a oportunidade de receber apoio e melhorar os resultados a longo prazo.
Em um novo estudo publicado na revista Nature Mental Health nesta segunda-feira (27/4), pesquisadores da Duke Health, nos Estados Unidos, descobriram que ferramentas de inteligência artificial podem analisar prontuários eletrônicos de rotina para estimar, com precisão, o risco de uma criança desenvolver TDAH anos antes do diagnóstico tradicional.
A pesquisa não utilizou uma ferramenta comercial específica, mas um modelo próprio de inteligência artificial treinado com dados de prontuários eletrônicos capazes de identificar padrões clínicos ao longo do tempo.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram prontuários eletrônicos de mais de 140 mil crianças, com e sem TDAH. Eles treinaram um modelo especializado de inteligência artificial para examinar o histórico médico desde o nascimento até a primeira infância.
O sistema aprendeu a reconhecer combinações de eventos de desenvolvimento, comportamentais e clínicos que frequentemente aparecem anos antes do diagnóstico do transtorno.
O modelo apresentou alta precisão ao estimar o risco futuro de TDAH em crianças com 5 anos ou mais, com desempenho consistente entre diferentes perfis de pacientes, como sexo, raça, etnia e tipo de seguro de saúde.
Os pesquisadores apontam que a identificação precoce pode levar a diagnósticos mais rápidos e, consequentemente, a intervenções antecipadas, o que está associado a melhores resultados acadêmicos, sociais e de saúde para crianças com TDAH.
Com a identificação antecipada do risco, médicos podem iniciar acompanhamento mais próximo, encaminhar a criança para avaliação especializada e adotar intervenções comportamentais e educacionais antes mesmo do diagnóstico formal. Medidas como orientação aos pais, adaptação da rotina e suporte escolar podem ser implementadas mais cedo, o que contribui para reduzir prejuízos no desenvolvimento.
Eles também ressaltam a necessidade de novos estudos antes que esse tipo de ferramenta seja aplicado na prática clínica. É importante destacar que a tecnologia não realiza diagnóstico, mas identifica crianças que podem se beneficiar de maior atenção por parte do pediatra ou de encaminhamento antecipado para avaliação especializada.
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Cientistas desenvolvem IA capaz de prever TDAH antes do diagnóstico
Malte Mueller/Getty Images