Nesta sexta-feira, 20 de março, encerra-se a patente da semaglutida no Brasil, uma substância que revolucionou o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade nos últimos anos. Essa mudança sinaliza o início de uma nova fase no setor de medicamentos pertencentes à classe dos análogos de GLP-1, que abrange produtos renomados como Ozempic e Wegovy.
Com a perda da exclusividade, outras empresas poderão lançar suas próprias versões da semaglutida, o que deverá intensificar a concorrência e facilitar a introdução de medicamentos biossimilares no mercado. A expectativa é que essa nova dinâmica também pressione os preços para baixo, favorecendo o acesso de um número maior de pacientes ao tratamento.
Nos últimos anos, a popularidade desses medicamentos cresceu de forma acelerada. Originalmente criados para o controle do diabetes, sua utilização no tratamento da obesidade se expandiu após estudos comprovarem uma redução significativa do peso corporal em muitos pacientes.
Atualmente, o mercado é amplamente dominado por empresas multinacionais, sendo a dinamarquesa Novo Nordisk a líder com produtos como Ozempic e Wegovy, que são baseados em semaglutida, além de Victoza e Saxenda, que utilizam liraglutida.
Os preços ainda refletem um cenário de concorrência limitada, variando entre R$ 825 e R$ 1.699 por mês, dependendo da dosagem e da indicação.
Com a expiração da patente, novas empresas poderão desenvolver versões biossimilares da semaglutida. Ao contrário dos genéricos convencionais, esses medicamentos não são cópias exatas da molécula original, pois são fabricados por meio de processos biotecnológicos complexos.
Conforme o endocrinologista Ricardo Barroso, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM SP), essas versões são submetidas a testes rigorosos para garantir sua eficácia e segurança antes de serem comercializadas. Segundo ele, os estudos até o momento indicam que esses biossimilares apresentam perfis de eficácia e segurança que se comparam aos do medicamento original.
“Até agora, os testes de biossegurança não revelaram diferenças significativas entre o produto original e os biossimilares. A ampliação do uso permitirá a coleta de mais dados clínicos, mas não há razões para questionar a segurança dessas medicações”, afirma.
A entrada de novos fabricantes deve aumentar a concorrência e, potencialmente, levar à redução dos preços. Especialistas acreditam que essa movimentação pode ampliar o acesso ao tratamento. “Com a chegada de biossimilares e a consequente competição de preços, espera-se uma diminuição significativa nos valores desses medicamentos, permitindo que mais pacientes tenham acesso ao tratamento de obesidade, diabetes e esteatose hepática”, explica Ricardo Barroso.
Para o endocrinologista, o impacto poderá ser significativo em um país onde a diabetes e a obesidade são problemas de saúde pública. No entanto, ele ressalta que esses medicamentos devem ser usados sob supervisão médica. “São fármacos de uso controlado e precisam ser prescritos por profissionais de saúde. O acompanhamento médico é essencial para monitorar possíveis efeitos colaterais e assegurar um uso adequado”, enfatiza.
Em resposta ao Metrópoles, a Novo Nordisk comentou que o término da patente é parte do ciclo natural de qualquer inovação farmacêutica e que a empresa já se preparava para essa nova realidade. A farmacêutica afirmou que sua estratégia continuará a se basear em investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos tratamentos para doenças crônicas.
“A inovação permanece como um dos pilares centrais da companhia, que conta com um portfólio de medicamentos transformadores e um pipeline robusto capaz de gerar novos avanços no cuidado de doenças crônicas graves”, diz o comunicado.
A empresa também destacou que o Brasil continua sendo um mercado estratégico. A planta da companhia em Montes Claros, Minas Gerais, representa cerca de 25% da produção mundial de insulinas da Novo Nordisk e planeja aumentar a produção nacional de medicamentos injetáveis nos próximos anos.
Mantenha-se informado sobre Saúde e Ciência em seu WhatsApp. Acesse o canal de notícias do Metrópoles e fique por dentro de tudo! Para mais informações sobre ciência e nutrição, confira todas as reportagens de Saúde.