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“O chão desmoronou sob meus pés”, relata mãe de duas crianças com a mesma condição rara

Arquivo pessoal

Doenças raras são condições que impactam um número limitado de indivíduos e, frequentemente, surgem de maneira isolada. No entanto, para Andréa Joana da Silva Gomes, de 36 anos, a situação foi bem diferente. Em 2023, ela descobriu que seus dois filhos, Noemy e Natan, compartilham a mesma condição genética rara, conhecida como Atrofia Muscular Espinhal tipo 3.

A jornada de Andréa começou quando Noemy, aos 13 anos, deu seus primeiros passos com apenas um ano e um mês. A mãe logo percebeu que algo não estava certo, pois a filha caía com frequência e apresentava uma marcha distintiva, diferente das outras crianças de sua idade. Esse foi o início de uma busca por respostas que se estenderia por quase nove anos.

Residente de Rio Pomba, em Minas Gerais, Andréa passou por diversas consultas e exames na tentativa de compreender as dificuldades de mobilidade da filha. Quando ainda era pequena e mostrava os primeiros sinais de problemas para andar, Noemy recebeu o diagnóstico de paralisia cerebral, possivelmente relacionado a um descolamento de placenta que Andréa sofreu no início da gestação.

“Os exames não indicavam nada conclusivo, mas o diagnóstico de paralisia cerebral foi mantido. Nós só queríamos entender por que ela caía tanto”, relembra Andréa.

A família continuou com as sessões de fisioterapia recomendadas, mas a profissional que tratava Noemy nunca se convenceu totalmente da hipótese inicial. As consultas eram custeadas pela própria família, já que na cidade onde moram não há especialistas disponíveis, obrigando-os a buscar atendimento em cidades vizinhas.

Quando Natan nasceu em 2018, Andréa ainda acreditava que o caso da filha não era de origem genética. Contudo, à medida que o menino crescia, ela começou a notar semelhanças preocupantes. “Eu já carregava aquele receio. Comentei com meu esposo: ‘E se ele for igual?’”, recorda.

Com o tempo, Natan começou a andar de maneira semelhante à irmã, levando a novos exames e consultas, mas ainda sem respostas definitivas. A situação mudou quando Andréa conseguiu um encaminhamento para um especialista em doenças neuromusculares. O médico conduziu uma investigação mais aprofundada e levantou a suspeita de Atrofia Muscular Espinhal, que foi confirmada em 2023, após um exame genético específico.

De acordo com o neurologista Paulo Sgobbi, diretor médico da PSEG Centro de Pesquisa Clínica, a AME tipo 3 é uma condição rara que normalmente se manifesta após a primeira infância, quando a criança já consegue sentar, sustentar o pescoço e até andar. “Nesses casos, o desenvolvimento inicial parece normal, mas, em algum momento da infância ou adolescência, surgem sinais de fraqueza muscular progressiva, especialmente nas pernas, com dificuldades para correr ou levantar-se do chão”, explica. Ele ressalta que, devido à semelhança dos sintomas com outras condições, o diagnóstico costuma demorar.

Após a confirmação da doença rara, a rotina da família se intensificou em consultas e terapias. Noemy passa por fisioterapia motora e respiratória, além de natação e acompanhamento psicológico. Ela também desenvolveu escoliose e sente dores nas costas, enquanto Natan participa de terapias e atividades físicas adaptadas. O acompanhamento multidisciplinar é fundamental, pois ajuda a preservar a funcionalidade dos pacientes e a melhorar sua qualidade de vida. Parte do atendimento é oferecido pelo sistema público, mas despesas adicionais, como sessões extras de fisioterapia e psicologia particular, são custeadas pela família.

“Eu fico praticamente dedicada a eles o tempo todo. Cada um estuda em um turno, e eu organizo tudo em função das terapias”, afirma Andréa.

Apesar das limitações, as crianças continuam a frequentar a escola e a participar de atividades que gostam. “Eles sabem sobre a doença. Optei por contar. É importante que entendam seus corpos”, afirma.

Atualmente, existem terapias que podem ajudar a estabilizar a doença, estimulando a produção de uma proteína essencial para os neurônios motores. No entanto, esses tratamentos têm um custo elevado. Segundo Sgobbi, quando o tratamento é iniciado, a progressão da doença pode ser interrompida e alguns pacientes podem até apresentar melhora nas funções motoras e respiratórias.

A família conseguiu uma decisão judicial favorável para o acesso à medicação, mas a liminar foi revogada. Desde 2023, o caso está em trâmite na Justiça. Na primeira instância, o pedido foi negado com o argumento de alto custo e impacto no sistema público. O processo agora avança para a segunda instância.

“Eles não estão tomando nada para conter a progressão. Já notamos a perda de força”, alerta Andréa.

Enquanto aguardam uma nova decisão, a mãe busca adaptar a rotina da família, reestruturando a alimentação das crianças, mantendo o acompanhamento médico e tentando equilibrar os cuidados com momentos de lazer, para que a vida não se resuma apenas a consultas e tratamentos.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade