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Estudo aponta que chikungunya pode se espalhar amplamente pela Europa

Joao Paulo Burini/Getty Images

O aumento dos casos de chikungunya ao redor do mundo sugere que a Europa pode enfrentar um impacto maior do que se imaginava, em função do aquecimento global, conforme revela uma análise publicada no início de fevereiro na revista Journal of Royal Society Interface.

Com as temperaturas em ascensão e a proliferação do mosquito Aedes albopictus, vetor da doença, os períodos de infecção podem se estender por mais de seis meses em regiões mais quentes do sul da Europa, como Espanha e Grécia. Além disso, em áreas mais ao norte, como o sudeste da Inglaterra, essa janela de transmissão já se estende por dois meses.

Os pesquisadores alertam que a expansão da chikungunya para o norte é apenas uma questão de tempo. O estudo também descobriu que o vírus pode se propagar em temperaturas mais amenas do que se acreditava anteriormente, ao analisar como a temperatura afeta o tempo de incubação do vírus no mosquito transmissor.

Originário da Ásia, o Aedes albopictus, conhecido como mosquito-tigre-asiático, também é responsável pela transmissão da dengue. Esse inseto foi identificado no sul da Europa pela primeira vez em 2007 e, desde então, sua presença se expandiu pela Europa Central, alcançando regiões mais setentrionais devido ao aquecimento global.

Historicamente, os invernos rigorosos da Europa ajudavam a controlar a atividade dos mosquitos, funcionando como uma barreira natural contra as doenças que eles transmitem. No entanto, evidências recentes indicam que os mosquitos estão ativos durante todo o ano no sul da Europa, sugerindo a possibilidade de surtos mais frequentes conforme o clima se torna mais quente. O aumento médio anual de 25% nos casos de infecções transmitidas pelo Aedes albopictus, incluindo a dengue, reforça essa preocupação.

De acordo com os cientistas do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH), que participaram da pesquisa, os surtos da chikungunya devem aumentar, mas existem oportunidades para que os países europeus controlem essa disseminação por meio de campanhas de conscientização e sistemas de monitoramento.

No Brasil, dengue, zika e chikungunya são doenças amplamente reconhecidas. Todos os três vírus, transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti, tendem a ser mais prevalentes durante períodos de calor e chuvas, e compartilham sintomas semelhantes, embora pequenas variações os diferenciem.

Sintomas como febre, dores no corpo e erupções cutâneas são comuns entre dengue e as demais doenças. Contudo, a forma como cada uma se desenvolve, a duração dos sintomas e o grau de gravidade são algumas das distinções.

A detecção precoce dos sinais e a capacidade de identificar as diferenças entre essas doenças são cruciais para um diagnóstico e tratamento adequados, pois, ao contrário do que muitos pensam, essas enfermidades podem ser perigosas e até letais.

Os sinais da dengue costumam persistir entre dois a sete dias, com complicações frequentes como dores abdominais, desidratação severa, problemas hepáticos e neurológicos, além da possibilidade de dengue hemorrágica. Outros sintomas, como dor atrás dos olhos e sangramentos nas mucosas, também podem ocorrer.

Os sintomas da zika são semelhantes aos da dengue, embora a infecção, em geral, seja mais leve e de curta duração. Entretanto, se a infectada for uma gestante, há riscos significativos para o desenvolvimento do bebê, incluindo microcefalia e outras alterações neurológicas.

Em relação à chikungunya, os sintomas podem durar até 15 dias e são caracterizados por dores articulares intensas, que frequentemente se prolongam por anos. Assim como a zika, a chikungunya pode levar a complicações neurológicas e à síndrome de Guillain-Barré.

Embora não existam tratamentos específicos para essas doenças, há medicamentos que podem aliviar os sintomas, e o repouso é altamente recomendado. É importante evitar o uso de aspirinas, pois elas podem agravar a condição do paciente.

Se houver suspeita de infecção por qualquer um dos vírus, é fundamental procurar atendimento médico para um diagnóstico preciso e o início do tratamento adequado o mais cedo possível.

O Aedes aegypti se prolifera em ambientes sujos e mal cuidados, sendo favorecido pelas chuvas e altas temperaturas. Portanto, a melhor maneira de controlar sua presença é eliminar locais de água parada em residências, ruas e empresas.

A chikungunya causa dores articulares intensas, que podem ser fatais em crianças pequenas e idosos. O vírus foi identificado pela primeira vez em 1952 na Tanzânia e, por muitos anos, permaneceu restrito a regiões tropicais.

Em 2025, houve 445 mil casos suspeitos e confirmados globalmente, de acordo com o IFL Science, com 129 mil casos e 121 óbitos apenas no Brasil, conforme o painel de monitoramento das arboviroses do Ministério da Saúde.

O primeiro surto de chikungunya na Europa ocorreu em 2007, na Itália, seguido por surtos esporádicos em cerca de dez países. Em 2025, centenas de casos foram registrados na Itália e na França.

Esses surtos na Europa são frequentemente provocados por viajantes infectados que, ao retornarem de regiões tropicais, são picados por mosquitos locais, que, por sua vez, propagam a doença. Quando um mosquito pica uma pessoa já infectada, o vírus entra em seu intestino. Após um período de incubação, o vírus é encontrado na saliva do mosquito, tornando-o capaz de infectar a próxima pessoa que picar. No entanto, se o tempo de incubação for maior que a vida útil do mosquito, o vírus não se espalha.

O dado mais alarmante do estudo, segundo os pesquisadores, é que o vírus não necessita de temperaturas tão elevadas para sair da fase de incubação. A análise sugere que a temperatura mínima para a transmissão do vírus é de 13 °C a 14 °C, cerca de dois graus abaixo do que se acreditava anteriormente, o que indica a possibilidade de surtos mais frequentes e duradouros.

“A taxa de aquecimento global na Europa é aproximadamente o dobro da taxa global, e a nova estimativa de temperatura para a propagação do vírus é bastante preocupante. A expansão da doença para o norte é apenas uma questão de tempo”, afirma Sandeep Tegar, do Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia (UKCEH), principal autor do estudo, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

Embora existam vacinas contra a chikungunya, elas ainda têm um custo elevado e a logística de distribuição está em processo de organização. A melhor forma de prevenção é evitar picadas: eliminar criadouros do mosquito, como poças de água parada, e utilizar repelentes e roupas de manga longa, especialmente durante o dia, quando o mosquito é mais ativo.

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Darwin Andrade – Jornalista do JMV News
Jornalista

Darwin Andrade