O tabagismo é um dos principais desafios de saúde pública global. No Brasil, aproximadamente 20 milhões de pessoas continuam a fumar. Esse hábito está ligado a diversas doenças, incluindo câncer, enfisema pulmonar, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), sendo responsável por uma quantidade significativa de mortes que poderiam ser evitadas. Existem várias opções para aqueles que desejam abandonar o vício, muitas das quais são oferecidas sem custo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar da ampla conscientização sobre os perigos do cigarro, desistir desse hábito é frequentemente um desafio complexo, pois envolve tanto a dependência física quanto a psicológica. Essa dificuldade tem uma base biológica, uma vez que a nicotina atua no sistema nervoso, promovendo a liberação de dopamina, um neurotransmissor relacionado à sensação de prazer.
Além do componente químico, o ato de fumar se torna uma parte do cotidiano. Momentos de estresse, intervalos no trabalho ou situações sociais geralmente reforçam a conexão com o cigarro. A pneumologista Gilda Elizabeth, do Hospital Brasília, observa que muitos pacientes enfrentam sintomas de abstinência ao tentarem parar de fumar.
“O cigarro acaba se tornando uma válvula de escape emocional. Quando a pessoa tenta interromper o uso, pode experimentar irritação, insônia e um desejo intenso de fumar”, explica a médica.
O processo de cessação do tabagismo geralmente envolve a combinação de várias estratégias. O pneumologista André Nathan, que coordena a pneumologia no Hospital Sírio-Libanês, enfatiza que o suporte psicológico é frequentemente integrado ao tratamento medicamentoso.
“Hoje, utilizamos principalmente terapias farmacológicas em conjunto com a terapia cognitivo-comportamental. Uma abordagem complementa a outra”, esclarece. Os medicamentos mais comuns incluem bupropiona, vareniclina, citisina e terapias de reposição de nicotina, como adesivos ou gomas.
A reposição de nicotina pode ser utilizada isoladamente ou em combinação com outros medicamentos, aumentando a eficácia do tratamento. As diretrizes internacionais apontam a bupropiona e a vareniclina como opções preferenciais. A vareniclina atua nos receptores de nicotina, reduzindo tanto a vontade quanto o prazer associado ao ato de fumar. Contudo, no Brasil, a vareniclina não está amplamente acessível e não faz parte da oferta do SUS.
Por meio do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), o SUS disponibiliza tratamento gratuito para aqueles que desejam parar de fumar. O atendimento ocorre, principalmente, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), oferecendo acolhimento clínico, orientação individual ou em grupo, apoio psicológico e, quando necessário, medicamentos.
As opções disponíveis incluem adesivos e gomas de nicotina, além da bupropiona, conforme os protocolos clínicos estabelecidos. De acordo com o Ministério da Saúde, o processo geralmente se inicia na própria unidade de saúde ou por meio de encaminhamentos das secretarias municipais.
Especialistas sugerem que a pessoa defina uma data para parar completamente, identifique os gatilhos que levam ao consumo e altere rotinas associadas ao fumo. A prática de atividades físicas, a terapia e o suporte social podem facilitar essa transição.
É fundamental também saber lidar com recaídas sem se sentir culpado. Deixar de fumar muitas vezes requer várias tentativas até que a interrupção se torne definitiva, e a persistência é uma parte essencial do tratamento.
Com assistência profissional, medicação adequada e mudanças comportamentais, as chances de sucesso aumentam consideravelmente. E mesmo após anos de tabagismo, os benefícios à saúde começam a se manifestar rapidamente após a interrupção do uso do cigarro.
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