O alto consumo de sal é amplamente reconhecido como um fator de risco para a hipertensão, mas seus efeitos vão além da pressão arterial. Uma análise realizada por cientistas poloneses e publicada em novembro de 2025 na revista Nutrients sugere que o excesso de sódio pode contribuir para o surgimento da aterosclerose, mesmo em indivíduos que não apresentam pressão alta.
A aterosclerose é caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura e colesterol nas paredes das artérias. Com o tempo, essa condição leva ao estreitamento e rigidez dos vasos sanguíneos, o que eleva o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Durante muitos anos, os pesquisadores acreditavam que o sal influenciava a aterosclerose apenas indiretamente, por meio do aumento da pressão arterial. No entanto, a nova revisão indica que essa não é a única forma de atuação do sódio.
Os cientistas da Universidade Médica da Silésia encontraram evidências de que o excesso de sódio pode provocar danos diretos nas artérias, independentemente da pressão arterial. Isso significa que até mesmo indivíduos com pressão normal podem enfrentar consequências negativas ao consumir grandes quantidades de sal.
Um dos principais problemas identificados é o impacto negativo no endotélio, que é a camada interna dos vasos sanguíneos. Em condições normais, essa camada é fundamental para manter a flexibilidade das artérias e regular o fluxo sanguíneo. O consumo elevado de sal compromete essa função.
Adicionalmente, a pesquisa demonstra que dietas ricas em sódio podem intensificar a inflamação no organismo e aumentar o estresse oxidativo — fatores que favorecem a formação das placas responsáveis pela aterosclerose.
Um dos aspectos mais relevantes da revisão é que esses efeitos adversos podem ocorrer mesmo sem um aumento na pressão arterial. Isso ajuda a entender por que pessoas consideradas saudáveis podem desenvolver doenças cardiovasculares ao longo do tempo.
Os pesquisadores alertam que alimentos ultraprocessados, como embutidos, refeições prontas e salgadinhos, são as principais fontes de sódio na dieta contemporânea e contribuem para esse risco silencioso.
A conclusão do estudo enfatiza que a redução do consumo de sal é uma ação crucial não apenas para o controle da pressão arterial, mas também para a proteção das artérias e a prevenção de doenças cardiovasculares.
De acordo com os autores, implementar estratégias para diminuir o teor de sódio na alimentação — tanto por meio de políticas públicas quanto por escolhas pessoais — pode ser eficaz na redução da incidência de aterosclerose e suas complicações mais graves.