* Este artigo é de autoria de Adam Taylor, professor de Anatomia na Universidade de Lancaster, e foi publicado na plataforma The Conversation Brasil.
Você pode estar relaxando em casa quando, de repente, sente um tremor na pálpebra ou em um músculo do braço, da perna ou do pé. Esses espasmos podem durar de alguns segundos a horas ou até dias, causando desconforto e atingindo aproximadamente 70% da população em algum momento da vida.
Os espasmos musculares são classificados principalmente em dois tipos: a mioclonia, que envolve a contração de um grupo muscular inteiro, e a fasciculação, onde apenas fibras musculares individuais se contraem — muitas vezes de forma sutil, mas perceptível sob a pele.
Diversos fatores podem desencadear esses espasmos, e muitos indivíduos tendem a considerar as piores possibilidades, como a esclerose múltipla, que exige exames complexos, incluindo punções lombares e ressonâncias magnéticas para identificar inflamações e alterações no cérebro.
Entretanto, para a maioria das pessoas, os espasmos musculares são apenas um incômodo passageiro. Após a exclusão de condições graves pelos médicos, os gatilhos frequentemente se revelam como elementos do cotidiano moderno.
Um dos principais responsáveis é o consumo excessivo de cafeína, que, como estimulante, afeta tanto os músculos esqueléticos quanto os cardíacos, podendo elevar a frequência cardíaca e, por consequência, dificultar o relaxamento muscular. Isso se deve ao aumento da liberação de íons de cálcio que desestabiliza os padrões normais de contração dos músculos.
Substâncias como nicotina, cocaína e anfetaminas também podem provocar espasmos musculares, uma vez que essas drogas interferem nos neurotransmissores que regulam a função muscular.
Além disso, certos medicamentos prescritos, como antidepressivos, anticonvulsivantes, remédios para hipertensão, antibióticos e anestésicos, podem ter efeitos colaterais que incluem espasmos musculares.
Os espasmos não são causados apenas pelo que ingerimos; deficiências nutricionais também desempenham um papel. A hipocalcemia, por exemplo, resulta da baixa quantidade de cálcio no corpo e está ligada a contrações musculares, especialmente nas costas e nas pernas. O cálcio é essencial para manter as células musculares estáveis e relaxadas. Quando os níveis de cálcio diminuem, os canais de sódio se tornam mais permeáveis, levando a uma hiperatividade dos nervos e contrações musculares indesejadas.
Outro mineral que pode causar espasmos quando em falta é o magnésio. A deficiência deste nutriente pode ser causada por uma dieta inadequada ou problemas de absorção intestinal, frequentemente associados a condições como a doença celíaca.
Além do magnésio, a falta de potássio também pode ser um fator. O potássio é vital para o relaxamento muscular, e um desequilíbrio nos níveis desse mineral pode tornar as células musculares instáveis e propensas a espasmos.
Uma alimentação equilibrada e a hidratação adequada são fundamentais para garantir a quantidade necessária desses minerais, especialmente durante atividades físicas, onde o esforço excessivo pode levar a cãibras e espasmos.
O papel do cérebro também é significativo. Estresse e ansiedade podem provocar espasmos musculares devido à ativação excessiva do sistema nervoso por hormônios e neurotransmissores, como a adrenalina. Essa resposta pode resultar em contrações musculares mesmo quando o corpo está em repouso.
Infecções por agentes patogênicos, como o tétano, que causa trismo (contração intensa dos músculos da mandíbula), também podem ser responsáveis por espasmos musculares. Outras infecções, como cisticercose, toxoplasmose, gripe, HIV e herpes simplex, foram associadas a esse sintoma.
Quando causas mais sérias são descartadas, algumas pessoas podem ser diagnosticadas com síndrome de fasciculação benigna, caracterizada por espasmos involuntários sem uma condição subjacente aparente, afetando pelo menos 1% da população saudável.
Para muitos, esses espasmos musculares são um incômodo gerenciável e não um sinal de doenças graves. Contudo, para outros, é aconselhável buscar orientação médica para investigar possíveis causas mais preocupantes.
Receba atualizações sobre Saúde e Ciência no seu WhatsApp e mantenha-se informado! Acesse o canal de notícias do Metrópoles no WhatsApp para mais informações. Para saber tudo sobre ciência e nutrição, confira todas as matérias da área de Saúde.