A frequência com que as pessoas vão ao banheiro pode estar ligada à vitamina B1, também conhecida como tiamina. Um novo estudo investigou dados genéticos de mais de 260 mil indivíduos da Europa e do Leste Asiático e descobriu uma relação entre essa vitamina e o funcionamento do intestino.
Os cientistas observaram que determinadas variações genéticas afetam a forma como o corpo processa a vitamina B1, indicando que a tiamina pode desempenhar um papel na regulação da frequência das evacuações, um aspecto que até então não era completamente compreendido.
Os pesquisadores afirmam que essa descoberta pode abrir novas possibilidades para a prevenção e tratamento de distúrbios intestinais comuns, como constipação e diarreia. Os resultados foram publicados na revista Neurogastroenterology em 20 de janeiro.
A equipe analisou dados genéticos para identificar genes associados à motilidade intestinal, que se refere à rapidez com que o intestino se movimenta. Durante essa análise, encontraram variações genéticas relacionadas ao metabolismo da vitamina B1.
Na fase seguinte, os cientistas compararam essas informações com dados dietéticos de quase 100 mil participantes do UK Biobank, buscando determinar se a ingestão de vitamina B1 estava relacionada à frequência das evacuações.
Mudanças na motilidade intestinal são frequentemente causadas por condições comuns, como prisão de ventre, diarreia e síndrome do intestino irritável (SII), que impactam a qualidade de vida e, em muitos casos, não têm uma causa definida.
Por esse motivo, os pesquisadores recorreram à genética para aprofundar a compreensão do que regula essa motilidade, visando desenvolver abordagens mais eficazes para lidar com esses distúrbios.
Os dados obtidos revelaram que o metabolismo da vitamina B1 está associado ao controle do ritmo intestinal. Em particular, foram identificadas duas variações genéticas que alteram a maneira como o corpo ativa e transporta esse nutriente.
Indivíduos que possuíam ambas as variantes genéticas apresentaram um efeito modificado, sugerindo que a vitamina B1 contribui para a regulação da frequência das evacuações e da motilidade intestinal, além de suas funções já conhecidas no metabolismo.
Pesquisas anteriores já haviam sugerido que a vitamina B1 pode ter um efeito positivo em problemas intestinais. Um estudo clínico de 2020 observou melhorias na fadiga crônica em pacientes com doença inflamatória intestinal após um curto período de suplementação.
Com base nessas novas descobertas, os pesquisadores enfatizam que abordagens nutricionais mais específicas, como a suplementação de vitamina B1, podem futuramente ser úteis no tratamento de distúrbios intestinais, especialmente para aqueles com predisposição genética a alterações intestinais.
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