O ex-presidente Jair Bolsonaro foi admitido nesta quarta-feira (24/12) no hospital DF Star, localizado em Brasília, onde começou a se preparar para uma cirurgia de correção de hérnia inguinal agendada para quinta-feira (25/12). Essa internação acontece pouco mais de um mês após sua prisão preventiva. Aos 70 anos, Bolsonaro iniciou a realização de exames e cuidados pré-operatórios no hospital. Esta será sua oitava cirurgia desde o atentado a faca que sofreu em 2018.
A hérnia inguinal é uma das formas mais frequentes de hérnia abdominal, ocorrendo quando uma parte do intestino ou gordura se projeta através de um ponto fraco na musculatura da virilha. O coloproctologista Danilo Munhóz, que atua em Brasília, explica que a presença de hérnias bilaterais indica que o problema afeta ambos os lados da região, resultando em maior desconforto e impacto na rotina do paciente. O sintoma mais notável é o surgimento de um nódulo na virilha, que pode aumentar com esforços físicos.
De acordo com o especialista, o tratamento é exclusivamente cirúrgico, uma vez que a hérnia não se resolve sozinha e tende a agravar-se com o tempo. A cirurgia é recomendada quando surgem sintomas, quando há interferência nas atividades diárias ou quando há risco de complicações. Sinais como dor intensa, endurecimento da hérnia, náuseas e vômitos devem ser considerados como alertas, pois podem indicar situações de encarceramento ou estrangulamento, que requerem intervenção imediata.
Para casos de hérnias inguinais bilaterais, técnicas minimamente invasivas, como a laparoscopia ou cirurgia robótica, são frequentemente utilizadas, permitindo o tratamento dos dois lados na mesma operação, com menos trauma e uma recuperação mais rápida, conforme explica o médico.
Em geral, atividades leves podem ser retomadas em poucos dias, enquanto atividades que exigem mais esforço devem ser evitadas por quatro a seis semanas. No caso de Bolsonaro, o histórico de múltiplas cirurgias abdominais influenciará a escolha da técnica a ser utilizada. O cirurgião do aparelho digestivo Cássio Gontijo, especialista em parede abdominal, destaca que intervenções anteriores podem levar à formação de aderências intestinais, aumentando a complexidade do procedimento.
Gontijo ressalta que é necessário ter um cuidado especial com a relação entre a hérnia e o intestino que atravessou a parede abdominal, o que eleva o risco de lesões intestinais durante a cirurgia. O pós-operatório também pode exigir atenção adicional; a manipulação do intestino pode requerer um período de observação clínica mais prolongado para verificar se houve alguma lesão não detectada durante a operação.
Após a cirurgia, a funcionalidade do intestino e a aceitação de alimentos serão monitoradas de perto. Além dos cuidados com as feridas cirúrgicas, haverá restrições em relação a esforços abdominais, como levantar pesos ou fazer força durante a evacuação. Tosse intensa ou crises de soluço também devem ser evitadas, pois podem interferir nos resultados da cirurgia, conforme alerta o especialista.
A expectativa é que, após a avaliação da equipe médica, sejam estabelecidos os cuidados específicos e o tempo necessário para a recuperação, de acordo com o que for constatado e realizado durante o procedimento.