A adoção de um único comprimido que une dois ou mais fármacos para o controle da pressão arterial pode simplificar o tratamento da hipertensão e proporcionar benefícios duradouros para a saúde cardiovascular. De acordo com um recente estudo, essa abordagem é mais eficaz e rápida na redução da pressão arterial em comparação com a administração de múltiplos medicamentos separados, além de contribuir para a diminuição do risco de infartos e derrames.
Essas descobertas foram publicadas em um novo artigo da American Heart Association (AHA) na revista Hypertension, em parceria com o American College of Cardiology. O estudo ressalta a importância de associar mudanças no estilo de vida ao uso de medicamentos quando necessário.
Para aqueles com pressão arterial igual ou superior a 140/90 mmHg, considerados no estágio 2 da hipertensão, a recomendação é iniciar o tratamento com a combinação de dois medicamentos, preferencialmente em um único comprimido.
“Pacientes que optam por um comprimido único tendem a alcançar um controle mais eficaz da pressão arterial em um período mais curto do que aqueles que utilizam os mesmos fármacos de forma isolada”, explica um especialista.
A hipertensão arterial é uma condição que afeta não apenas o coração, mas também os vasos sanguíneos, os olhos, o cérebro e pode prejudicar gravemente os rins. Ela é caracterizada por uma pressão frequentemente superior a 140 por 90 mmHg. Além de fatores genéticos, o consumo excessivo de álcool, tabaco, sódio, obesidade, colesterol elevado, diabetes, envelhecimento, estresse e sedentarismo podem impactar os níveis de pressão arterial.
Os principais sintomas associados à hipertensão incluem tontura, visão embaçada, dores de cabeça e no pescoço, que costumam surgir quando há um aumento súbito da pressão. Outros sinais comuns são zumbido nos ouvidos, visão dupla, dores na região da nuca, sonolência, palpitações, náuseas e pequenos sangramentos nos olhos.
A hipertensão é um fator de risco significativo para complicações severas, como AVC, insuficiência cardíaca e perda de visão. Ao suspeitar da condição, é crucial medir a pressão arterial com um aparelho apropriado, seja em casa ou em farmácias.
Embora a hipertensão represente um risco sério, ela pode ser controlada. Práticas saudáveis, como exercícios regulares, dieta equilibrada, manejo do estresse, redução do consumo de álcool, controle do peso e do colesterol, além da evitação de substâncias que elevam a pressão arterial (como cafeína e certos medicamentos), são fundamentais para manter os níveis de pressão sob controle.
Caso apareçam sintomas, é essencial consultar um cardiologista. Como essa condição não tem cura e pode levar a complicações cardiovasculares, o diagnóstico precoce é vital para evitar agravamentos irreversíveis.
Apenas um profissional qualificado pode diagnosticar a hipertensão e prescrever o tratamento adequado para mitigar os sintomas e as consequências da doença. Em situações em que a pressão arterial continua acima de 140/90 mmHg após uma hora, a busca por atendimento hospitalar para a administração de anti-hipertensivos intravenosos é recomendada.
O estudo também enfatiza que a hipertensão muitas vezes não apresenta sinais visíveis, o que pode criar a falsa impressão de que o tratamento não é necessário. A American Heart Association reforça que manter a pressão arterial dentro dos limites recomendados reduz significativamente o risco de doenças cardíacas, AVC, insuficiência renal, declínio cognitivo e demência.
Os pesquisadores diferenciam os medicamentos combinados das polipílulas. Enquanto os primeiros são compostos apenas por fármacos para controle da pressão arterial, as polipílulas incluem outros medicamentos, como estatinas ou aspirina, com um foco mais amplo na prevenção cardiovascular.
Segundo o estudo, a utilização de medicamentos combinados em um único comprimido pode simplificar o tratamento, melhorar a adesão à prescrição e reduzir em 15% a 30% o risco de eventos cardiovasculares graves, como infartos, AVC, internações por insuficiência cardíaca e morte. Essa estratégia também pode resultar em economia a longo prazo para pacientes e sistemas de saúde.
Apesar das vantagens, ainda existem obstáculos à adoção mais ampla dessa abordagem, como a falta de familiaridade de alguns profissionais com as combinações disponíveis, a limitação de ajustes de dose e questões relacionadas a custos e cobertura por planos de saúde.
Em muitos casos, as seguradoras continuam a exigir que os medicamentos sejam prescritos separadamente, mesmo diante de evidências que apontam que os comprimidos únicos podem ser mais econômicos ao longo do tempo.
Os autores do estudo reforçam a necessidade de mais pesquisas em grupos de maior risco, como pacientes com hipertensão resistente, doenças renais crônicas, diabetes, insuficiência cardíaca e idosos.
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