As doenças vasculares, quando não tratadas, podem levar a sérias complicações para a saúde, afetando o sistema circulatório e a condição das artérias. Entre os riscos mais alarmantes estão o aumento da probabilidade de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), aneurismas, trombose venosa profunda (TVP) e embolias pulmonares.
Embora a predisposição genética possa contribuir para o surgimento de doenças circulatórias, a cirurgiã vascular Aline Lamaita destaca que adotar certos cuidados pode ajudar a manter a saúde das artérias, veias e vasos linfáticos, essenciais para a circulação de sangue, oxigênio e nutrientes por todo o corpo.
Cuide da sua alimentação
Uma dieta saudável deve basear-se em três aspectos principais: evitar alimentos que prejudicam as artérias, promover um bom funcionamento intestinal e controlar o peso. Aline ressalta que uma alimentação com baixo teor de colesterol e gordura saturada pode auxiliar na prevenção da aterosclerose, que é o acúmulo de placas nas artérias. “Essas placas podem obstruir ou dificultar o fluxo sanguíneo, e a gordura acumulada nos vasos sanguíneos resulta em circulação ineficiente”, explica a médica.
Além disso, um intestino saudável é fundamental para o organismo. Problemas como constipação e inchaço podem afetar a circulação nas pernas. É importante aumentar a ingestão de frutas, legumes, verduras e sementes. “Se necessário, o uso de pré e probióticos pode ser benéfico, sempre com orientação de um profissional de saúde”, sugere.
Movimente suas panturrilhas
A inatividade das panturrilhas pode levar à retenção de líquidos, causando inchaço e desconforto, além de aumentar a propensão ao desenvolvimento de varizes e trombose venosa. Exercícios, mesmo os de baixo impacto, que focam nessa musculatura são importantes para a saúde circulatória, pois potencializam o fluxo sanguíneo nas veias, facilitando o retorno do sangue ao coração.
O acidente vascular cerebral, ou AVC, é uma interrupção do fluxo sanguíneo em alguma parte do cérebro, podendo ocorrer devido a várias razões, como acúmulos de placas de gordura, formação de coágulos (AVC isquêmico), sangramentos por pressão alta ou ruptura de aneurismas (AVC hemorrágico). Sintomas como dor de cabeça intensa, fraqueza ou dormência em partes do corpo, paralisia e perda súbita da fala são comuns a ambos os tipos de AVC.
Embora o AVC não tenha cura, muitos casos podem ser prevenidos. É possível buscar tratamentos para melhorar a condição e reabilitação para reduzir o risco de sequelas. Embora mais frequente em pessoas com mais de 50 anos, os jovens também podem ser afetados. As principais causas incluem:
– Tabagismo e alimentação inadequada: uma dieta equilibrada, rica em vegetais, frutas e proteínas magras, assim como a prática regular de exercícios e a abstinência do tabaco, são essenciais.
– Hipertensão, colesterol elevado e diabetes: é imprescindível um controle rigoroso dessas condições, além de hábitos saudáveis para mitigar seus impactos.
– Problemas cardíacos ou vasculares: essas questões podem ser identificadas em consultas regulares e, se necessário, tratadas com medicamentos, como anticoagulantes.
– Uso de drogas ilícitas: é aconselhável buscar auxílio em centros especializados para desintoxicação e melhora da qualidade de vida, reduzindo as chances de AVC.
– Aumento da coagulação sanguínea: condições como lúpus, anemia falciforme ou trombofilias, bem como doenças que inflamaçam os vasos, devem ser investigadas.
Hidrate-se adequadamente
Um consumo insuficiente de água eleva a viscosidade do sangue e pode provocar a queda da pressão arterial, comprometendo a saúde de diversos órgãos. Aline enfatiza que uma hidratação adequada é vital para garantir que o corpo receba o sangue necessário.
Controle outras condições de saúde
Pessoas com diabetes têm maior probabilidade de desenvolver doença arterial periférica devido aos danos que essa condição pode causar nos vasos sanguíneos. “Se você é diabético, é crucial manter os níveis de glicose sob controle”, alerta a especialista.
Tenha atenção com hormônios e anticoncepcionais
Aline alerta que os hormônios presentes em certos anticoncepcionais podem interferir na circulação e aumentar o risco de coágulos venosos. “É fundamental consultar seu médico sobre o uso de anticoncepcionais e avaliar os riscos e benefícios em conjunto”, aconselha.
Deixe o cigarro de lado
A nicotina está relacionada à redução da espessura dos vasos sanguíneos, enquanto o monóxido de carbono agrava o risco ao reduzir a quantidade de oxigênio no sangue. Doenças cardíacas silenciosas representam um grande risco, pois muitas vezes não apresentam sintomas evidentes nos estágios iniciais. Condições como hipertensão, arritmias e cardiomiopatias podem evoluir de forma discreta e serem descobertas apenas quando já causaram danos significativos ao coração. Por isso, é crucial investir em hábitos saudáveis e acompanhamento médico.
“A maior parte das doenças cardíacas é prevenível ou controlável com um estilo de vida saudável e monitoramento médico. O desafio é que muitas delas se manifestam de forma silenciosa, e o paciente só percebe quando já há complicações. É essencial conscientizar e motivar a população a cuidar da saúde antes que os problemas apareçam”, afirma o cardiologista Tito Paladino.
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