Ao atingir os 50 anos, o corpo inicia uma série de transformações que muitas vezes ocorrem de forma discreta. Algumas dessas mudanças podem passar despercebidas durante as consultas médicas de rotina, mas podem indicar um risco considerável. Um estudo recente revelou que a combinação de duas condições comuns pode aumentar em 83% a probabilidade de morte nessa fase da vida.
A pesquisa aponta que o acúmulo de gordura na região abdominal, aliado à perda de massa muscular devido ao envelhecimento, cria um ciclo vicioso que eleva o risco de morte, especialmente em decorrência de problemas cardiovasculares.
Publicada na revista Aging Clinical and Experimental Research em 2024, a pesquisa é fruto de uma colaboração entre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a University College London. Ao longo de 12 anos, foram analisados dados de cerca de 5 mil indivíduos para identificar quais fatores silenciosos podem ser mais prejudiciais à saúde.
Embora essas alterações, isoladamente, já sejam motivo de preocupação para os médicos, juntas formam um quadro mais alarmante. Esta combinação caracteriza a obesidade sarcopênica, que se expressa pelo acúmulo de gordura e pela diminuição da massa muscular, impactando diretamente na autonomia e na longevidade do indivíduo.
A obesidade sarcopênica pode ser difícil de identificar. O diagnóstico tradicional depende de exames que costumam ser caros, como ressonância magnética e tomografia computadorizada, o que pode limitar o acesso, especialmente em sistemas de saúde pública e em regiões com recursos escassos.
“Por meio da análise dos dados dos participantes do estudo ELSA, conseguimos determinar que métodos simples podem ser utilizados para identificar a obesidade sarcopênica”, afirma Tiago da Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar, em entrevista à Fapesp. “Essa descoberta é crucial, pois a falta de consenso sobre os critérios diagnósticos dessa condição dificulta a sua identificação e tratamento”, complementa o pesquisador.
Para simplificar, os pesquisadores definiram a obesidade abdominal como uma circunferência superior a 102 centímetros para homens e 88 centímetros para mulheres. Já a baixa massa muscular foi caracterizada por índices de massa muscular esquelética abaixo de 9,36 kg/m² para homens e 6,73 kg/m² para mulheres. Esses critérios práticos facilitaram a identificação de grupos em situação de maior risco.
À medida que o corpo envelhece, manter a massa muscular pode se tornar mais desafiador, mas não é impossível. Combinando uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos, é possível promover o ganho de massa magra.
Uma das principais recomendações para aumentar a massa muscular inclui manter um equilíbrio energético, realizar musculação e seguir uma dieta adequada. Além disso, ter uma boa rotina de sono é fundamental, pois noites de descanso de qualidade favorecem o metabolismo e ajudam na recuperação do corpo após a atividade física.
Para otimizar os resultados, pode ser vantajoso contar com a orientação de um personal trainer, pois a supervisão de um profissional capacitado pode ser a chave para alcançar seus objetivos, respeitando as limitações do seu corpo.
Praticar atividades físicas não apenas melhora a capacidade cardiorrespiratória e o bem-estar geral, mas também reduz a fraqueza, além de ajudar na prevenção de doenças como câncer e diabetes. Para aqueles com mais de 50 anos que desejam ganhar massa muscular, o crossfit pode ser uma excelente alternativa.
Após os 40 anos, a produção hormonal diminui, o tônus muscular se reduz e o acúmulo de gordura aumenta. Contudo, adotar um estilo de vida saudável pode criar um ciclo positivo, onde a elevação dos níveis hormonais resulta em maior massa magra e mais energia.
A ingestão de proteínas também é crucial para o desenvolvimento muscular. No entanto, é necessário ajustar a quantidade desse nutriente ao longo do dia para atingir os objetivos desejados.
Além disso, a hidratação é extremamente importante para quem busca tonificar o corpo. As fibras musculares são compostas por 75% a 85% de água, ressaltando a importância de manter-se bem hidratado.
A relação entre a gordura abdominal e a perda muscular forma um ciclo prejudicial. O excesso de gordura intensifica processos inflamatórios no corpo, que aceleram alterações metabólicas e favorecem a degradação muscular. “Uma condição pode agravar a outra, com a gordura infiltrando-se nos músculos e comprometendo suas funções metabólicas, endócrinas, imunológicas e funcionais”, explica Valdete Regina Guandalini, professora da Universidade Federal do Espírito Santo e coautora do estudo.
Os resultados da pesquisa sugerem que avaliações simples durante as consultas médicas podem ter um impacto significativo na saúde e até mesmo salvar vidas. A utilização de medidas acessíveis pode permitir uma triagem em larga escala, sem depender de tecnologias limitadas a grandes centros urbanos.
A pesquisa também destaca a importância de um estilo de vida saudável. Uma alimentação equilibrada e exercícios de força são fundamentais para preservar a massa muscular, controlar a gordura abdominal e, consequentemente, aumentar a expectativa de vida.
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