Um estudo recente revelou que é possível produzir industrialmente uma molécula da goiaba com propriedades promissoras no combate ao câncer de fígado. Cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, elaboraram uma metodologia para sintetizar moléculas da fruta que demonstraram efeitos positivos no tratamento da doença em experimentos realizados in vitro.
De acordo com os pesquisadores envolvidos, o método é acessível, escalável e consegue reproduzir com precisão as características do composto natural encontrado na goiaba. O artigo foi publicado na renomada revista Angewandte Chemie em maio deste ano.
A molécula em questão é a (–)-psiguadial A, reconhecida por suas propriedades antiproliferativas, cuja eficácia no combate ao câncer de fígado já havia sido confirmada em investigações anteriores. Contudo, sua extração a partir da fruta é dificultada pela baixa concentração na goiaba, levando os cientistas a buscar métodos alternativos para a sua recriação.
Para sintetizar a (–)-psiguadial A, os químicos aplicaram uma síntese total de produtos naturais, que envolve a combinação de substâncias disponíveis no mercado para formar estruturas complexas idênticas às da natureza.
O câncer de fígado caracteriza-se como um tumor maligno frequentemente agressivo, originado nas células do fígado, incluindo hepatócitos, canais biliares ou vasos sanguíneos. Fatores como cirrose hepática, acúmulo de gordura no fígado e uso de anabolizantes podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença.
Os sintomas geralmente se manifestam em estágios avançados e incluem dor abdominal, inchaço, náuseas, perda de apetite e peso sem explicação, fadiga excessiva e icterícia. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de fígado foi a sexta causa de morte entre homens no Brasil em 2020, e a sétima entre mulheres.
A detecção do câncer de fígado é realizada por meio de exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia, que podem identificar nódulos na região hepática. O tratamento varia conforme o tamanho e a gravidade do caso, podendo envolver cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. As chances de cura são significativamente maiores quando o tumor é diagnosticado precocemente.
Conforme o Inca, “a remoção cirúrgica é o tratamento mais recomendado quando o tumor está restrito a uma área do fígado (tumor primário), assim como em casos de tumores hepáticos metastáticos que podem ser ressecados de forma curativa.” Quando a cura não é mais viável, a expectativa de sobrevida é em torno de 5 anos, embora esse número possa variar conforme o estágio da doença e a condição de saúde do paciente.
A relevância desse estudo é enorme, considerando que o câncer de fígado é uma das principais causas de morte e invalidez mundialmente. O câncer hepatocelular, a forma mais prevalente da doença, está aumentando em incidência globalmente. No Brasil, cerca de 11 mil novos casos são diagnosticados anualmente, segundo estimativas do Inca.
“Globalmente, é o sexto tipo de câncer mais comum e a terceira principal causa de morte por câncer. Antigamente, pensava-se que o câncer de fígado afetava principalmente pacientes com hepatite viral ou doenças hepáticas relacionadas ao álcool. Contudo, as crescentes taxas de obesidade agora são um fator de risco significativo, especialmente devido ao aumento de casos de acúmulo de gordura no fígado,” explica o oncologista Ramon Andrade de Mello, do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil, em São Paulo.
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