No momento do nascimento de Bernardo, algo inusitado chamou a atenção tanto dos pais quanto da equipe médica na sala de cirurgia. O dispositivo intrauterino (DIU) da mãe foi encontrado aderido à pele do bebê, especificamente na região do bumbum. A imagem desse momento, compartilhada no Instagram pela ginecologista e obstetra Rafaela Frota, rapidamente se espalhou pela internet, gerando uma onda de curiosidade.
Na postagem, a médica descreveu: “Este é o pequeno Bernardo, que nasceu hoje por uma cesariana de emergência, e já chegou ao mundo com o DIU da mamãe coladinho no bumbum.” Rafaela explicou que o DIU não estava perfurando a pele do recém-nascido, mas apenas se fixou na camada de vernix, uma substância protetora que recobre os bebês enquanto estão no útero. “O DIU é um método contraceptivo bastante seguro, mas como qualquer outro, tem uma pequena taxa de falha”, destacou a profissional.
Amanda Gomes, mãe de Bernardo, compartilhou com o Metrópoles que sempre esteve atenta à colocação e manutenção do DIU. Ela utilizou o modelo de cobre por cinco anos antes de optar, em 2021, pela versão hormonal Kyleena. Desde então, realizava exames e ultrassonografias regularmente. “Com o DIU hormonal, não menstruava há quase três anos. Um dia, tive um sangramento intenso e pensei que o DIU tinha se deslocado. Fui à emergência, onde me submeteram a um ultrassom transvaginal, e os exames de sangue revelaram uma possível gravidez, confirmada com a imagem de um saco gestacional de nove semanas, já com batimentos cardíacos. Foi uma surpresa total”, recorda.
À medida que a gestação avançava, os médicos localizaram o DIU em várias posições dentro do útero, o que exigiu monitoramento cuidadoso. “Iniciei a gestação com risco alto, enfrentando dois episódios de sangramento no início e apresentando um colo uterino curto para a idade gestacional”, relata Amanda. Ela implementou uma rotina com restrições, repouso e cuidados especiais, mas a gravidez se desenvolveu de forma positiva.
O parto ocorreu no dia 4 de maio, após Amanda acordar com um novo sangramento. Ao chegar ao hospital, foi constatado que a bolsa havia rompido. O exame cardiotocográfico indicou que os batimentos cardíacos do bebê estavam elevados, sugerindo taquicardia. “Minha primeira escolha era o parto normal, mas naquele momento não era seguro esperar. Conversamos com a médica e decidimos pela cesárea”, diz Amanda.
Bernardo nasceu com 35 semanas e 5 dias, considerado prematuro, mas sem complicações. “Não foi necessária a UTI ou qualquer intervenção. Fizemos a aplicação de corticoides antes do nascimento para a maturação pulmonar. Ele está ótimo e já em casa”, afirma.
Logo após o nascimento, a obstetra apresentou Bernardo à mãe, e foi nesse momento que a família notou que o DIU havia saído juntamente com o bebê, colado ao bumbum. “Vimos imediatamente. A médica trouxe Bernardo para perto de mim, e o pai registrou aquele instante. Todos nós, incluindo a equipe médica, começamos a rir, misturando emoção, felicidade e surpresa”, recorda.
O DIU, um método contraceptivo seguro e eficaz, oferece várias vantagens em relação a outros métodos, como os anticoncepcionais orais, e permite que as mulheres não se preocupem com a contracepção por vários anos. O dispositivo não impacta a fertilidade e, se colocado corretamente, pode causar menos desconforto.
Rafaela, que atua em Brasília, explicou que o DIU Kyleena estava bem posicionado e é um dos métodos contraceptivos mais confiáveis, com uma eficácia superior a 99%. No entanto, existe uma taxa de falha de cerca de 0,2%, o que significa que duas em cada mil mulheres podem engravidar mesmo com o dispositivo em uso. “É comum que o DIU mude de posição durante a gestação. Ele pode se aderir à placenta, se inserir na musculatura uterina ou migrar para perto do colo do útero. Normalmente, ele permanece fora da bolsa amniótica”, esclareceu a especialista.
No caso de Bernardo, o rompimento precoce da bolsa fez com que o DIU entrasse em contato com o bebê. A aderência à pele ocorreu devido ao vernix, sem representar risco à criança. A médica enfatiza que, ao confirmar uma gravidez com DIU, o ideal é considerar a remoção do dispositivo, desde que esteja distante do embrião e possa ser extraído com segurança. Em situações onde a manipulação pode representar um risco, a orientação é manter o dispositivo e continuar com o acompanhamento de alto risco.
Apesar de tudo, Amanda afirma que ainda confia no DIU como método contraceptivo. “Já utilizei pílulas e dois tipos de DIU. O Kyleena foi o mais confortável para mim. Sabendo que tudo foi cuidadosamente monitorado e que superamos tantos desafios nesta gestação, acredito que era para acontecer. Respeito quem tem outra opinião, mas eu vivenciei milagres”, conclui.
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