Foi somente após a chegada de Aurora, em janeiro deste ano, que Francielli Rezende e seu marido descobriram que a filha tinha síndrome de Down. O diagnóstico transformou completamente a dinâmica familiar. “Aurora se tornou um verdadeiro anjo em nossas vidas, mas tivemos que aprender muito”, destaca a influenciadora.
“O teste pré-natal não revelou a síndrome. Contudo, logo após o nascimento, os profissionais de saúde identificaram traços físicos relacionados à condição, que nós, como pais, não percebemos. Após a realização de exames, o diagnóstico foi confirmado dois dias depois”, explica.
A confirmação da síndrome mobilizou a família. Francielli buscou suporte em familiares, especialmente em sua irmã, que tem duas filhas com síndrome de Down, além de profissionais recomendados pela pediatra de Aurora. “Procurar as pessoas certas foi fundamental. Acredito que encontrar uma rede de apoio, composta por aqueles que já viveram essa experiência, é essencial não só para trazer tranquilidade, mas também para receber orientações valiosas. A síndrome de Down não define uma criança, mas orienta a família a buscar os cuidados adequados”, afirma Francielli.
Nos primeiros dias de vida, Aurora começou sessões de fisioterapia e fonoaudiologia. “Nosso objetivo é proporcionar estímulos que ajudem a desenvolver todo o seu potencial. Estamos comprometidos com isso diariamente”, declara Francielli.
Um aprendizado importante tem sido o cuidado com a saúde respiratória de Aurora. Embora todos os bebês sejam suscetíveis a infecções respiratórias devido ao sistema imunológico ainda em desenvolvimento, as crianças com síndrome de Down precisam de atenção redobrada. Suas características anatômicas podem aumentar o risco de doenças respiratórias, e problemas otorrinolaringológicos podem afetar a função respiratória geral. Dentre as complicações mais frequentes estão a obstrução nasal crônica, infecções de ouvido recorrentes, apneia do sono e sinusites.
“As crianças com síndrome de Down têm maior probabilidade de desenvolver obstruções nas vias respiratórias, o que pode dificultar a respiração pelo nariz. Por isso, é necessário um tratamento abrangente para combater esses problemas”, explica a fisioterapeuta Amanda Schneider, da VitalAire em São Paulo.
Francielli, influenciadora digital, reconheceu a importância do cuidado respiratório com sua filha Aurora. Sua experiência anterior com a filha mais velha, Laura, que enfrentou bronquiolite e H1N1 aos três meses, a ensinou a importância de estar atenta à saúde respiratória dos bebês. Com o diagnóstico de Aurora, a vigilância aumentou.
“Quando a Laura teve bronquiolite, foi um dos períodos mais desafiadores da minha vida. Estar na UTI e receber instruções do pediatra sobre a importância da lavagem nasal foi um aprendizado crucial. Comecei a fazer isso com a Laura e apliquei esse conhecimento com Aurora. Diariamente, realizamos a lavagem nasal, e ela já se acostumou. Isso melhorou sua alimentação, respiração e até faz com que ela fique mais feliz”, relata a mãe.
Desde a chegada de Aurora, Francielli aprendeu a valorizar o tempo de desenvolvimento de sua filha. Ela percebe que cada criança tem seu próprio ritmo, o que exige paciência e compreensão. “Cada pequena conquista é uma vitória”, afirma.
“Deixei de lado a ideia de comparação. Optei por aprender com minha filha e deixá-la me mostrar a melhor forma de se desenvolver. Celebramos cada avanço dela e, a cada dia, aprendo mais sobre esse amor incondicional”, reflete.
A otorrinopediatra Sofia Borges, do Rio de Janeiro, enfatiza que a lavagem nasal é especialmente importante para crianças com síndrome de Down, que são mais propensas a infecções. “A lavagem nasal mantém as vias respiratórias desobstruídas, reduz infecções e melhora a qualidade de vida. É um cuidado simples, mas de grande impacto”, defende.
Segundo Sofia, a técnica deve ser adaptada à idade e sensibilidade da criança. Os pais devem tirar dúvidas com médicos e fonoaudiólogos antes de realizar a lavagem nasal, além de usar os equipamentos apropriados.
A síndrome de Down é uma condição genética resultante da presença de um cromossomo extra no par 21 do DNA, levando a características físicas e cognitivas específicas. O acompanhamento médico adequado é essencial para garantir a qualidade de vida das pessoas com síndrome de Down, prevenindo e tratando condições associadas, como problemas cardíacos congênitos, distúrbios na tireoide, dificuldades respiratórias e distúrbios neurológicos.
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