A Igreja de São Francisco de Assis, carinhosamente chamada de “Igrejinha da Pampulha”, é um marco no Conjunto Arquitetônico que celebra 80 anos de existência. Este projeto inovador foi a primeira obra de arquitetura moderna no Brasil a receber o tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Você já ouviu falar da Vila Rica Pampulha? Qual a origem do nome ‘Pampulha’ em Belo Horizonte? E a famosa montanha-russa do Parque Guanabara, que está na região há 55 anos?
Desenhada por Oscar Niemeyer, a igreja apresenta curvas ousadas, enquanto os jardins que a cercam são obra de Burle Marx. Cândido Portinari, Paulo Werneck e Alfredo Ceschiatti também deixaram sua marca, enriquecendo o valor artístico do espaço. Apesar de tantos talentos envolvidos, a igreja só foi inaugurada em 1959, quase 17 anos após a finalização da obra, devido à resistência da comunidade católica local ao design moderno na década de 1940.
Atualmente, a Igrejinha da Pampulha é um símbolo de Belo Horizonte, famosa por suas tonalidades azuis e formas fluidas. No entanto, sua abertura não foi unânime; a arquitetura de Niemeyer contrastava com as igrejas tradicionais de Minas Gerais. Além disso, Portinari retratou São Francisco de Assis de maneira não convencional, magro e acompanhado de um cão de rua, em vez do lobo habitual, o que gerou críticas, mas também ajudou a valorizar a modernidade na arte religiosa.
Com o tempo, as polêmicas foram se dissipando. Em 1959, a Arquidiocese de Belo Horizonte consagrou a igreja, impulsionada pelo interesse do papa João XXIII em mostrar a Via Sacra de Portinari no Vaticano. Hoje, o debate é parte da história: em 4 de outubro de 2021, o local foi elevado ao status de Santuário Arquidiocesano São Francisco de Assis.
Reconhecimento global da Igreja
O Conjunto Arquitetônico da Pampulha ganhou destaque internacional quando foi reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco em 2016, conforme informações da Prefeitura de Belo Horizonte.
Este conjunto inclui o Cassino (atualmente Museu de Arte da Pampulha), a Casa do Baile (Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design), o Iate Golfe Clube (hoje Iate Tênis Clube), além da Igreja de São Francisco de Assis, o espelho d’água e a orla da lagoa que interliga todos esses espaços. Em 2015, a Prefeitura apresentou um dossiê à Unesco, detalhando a candidatura e reafirmando o valor histórico, cultural e arquitetônico do conjunto.