Os habitantes de Belo Horizonte já têm consciência de que o ar nas áreas mais movimentadas da cidade não é dos melhores. Contudo, um estudo conduzido pela UFMG revela que a situação é ainda mais alarmante do que se pensava. Realizada ao longo de quatro anos pelo Instituto de Geociências, a pesquisa demonstrou que nenhum dos principais corredores de tráfego da capital mineira atende aos critérios de qualidade do ar estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A Rua Padre Eustáquio, localizada na Região Noroeste, se destaca como a mais poluída, superando até mesmo vias de intenso tráfego como a Antônio Carlos e a Cristiano Machado.
Em seguida, as avenidas Antônio Carlos, Nossa Senhora do Carmo e o trecho entre Silva Lobo e Barão Homem de Melo empatam em termos de poluição. A Avenida Amazonas e o Anel Rodoviário também figuram na lista.
Segundo Alceu Raposo Júnior, climatologista e responsável pela pesquisa, a explicação para a alta poluição na Rua Padre Eustáquio reside em sua configuração urbana. Por ser estreita e rodeada de prédios altos, a dispersão do ar é prejudicada, resultando em uma concentração de poluentes entre as edificações.
O estudo utilizou um equipamento portátil de medição — uma tecnologia de baixo custo desenvolvida nos Estados Unidos — que possibilitou a captura de variações nos níveis de poluição em diferentes horários e condições climáticas. Esse método proporcionou um panorama mais realista da qualidade do ar respirado pelos cidadãos belo-horizontinos.
Além da quantidade de veículos
Embora a Rua Padre Eustáquio não seja uma das vias mais congestionadas, a pesquisa revelou uma elevada concentração de partículas finas, que, embora invisíveis, podem causar sérios problemas respiratórios e cardiovasculares. Isso indica que a poluição não está ligada apenas ao volume de tráfego, mas também ao planejamento urbano e à ventilação natural dos locais.
Todas as avenidas analisadas apresentaram índices de poluição que ultrapassam os limites recomendados pela OMS.