Antes de se tornar um ícone visual, associado a lagoas e modernismo, Pampulha era apenas um termo de raízes antigas. Sua origem exata permanece incerta, mas a teoria mais amplamente aceita sugere que deriva do latim “pampanus”, que designava a haste da videira adornada com flores e frutos, simbolizando fertilidade, beleza e abundância. Na arquitetura clássica, esse termo também inspirou os “pâmpanos”, ornamentos que imitavam parreiras em festões e colunas. Com o passar do tempo, o diminutivo “pampanuculum” evoluiu para “Pampulha”, um nome que atravessou séculos e oceanos até chegar a Minas Gerais. No entanto, algumas pesquisas indicam que o nome poderia ter relação com um tipo de solo, originando-se da junção dos termos “pamp” (campo) e “hulha” (carvão).
A narrativa, no entanto, vai além. Em Lisboa, existiu um bairro denominado Pampulha, possivelmente nomeado pela presença de flores amarelas que lembravam margaridas. Embora esse bairro português já não exista, a palavra continua viva na Calçada da Pampulha, uma rua da capital. Essa herança lusitana inspirou o nome da região em Belo Horizonte.
No início do século XX, durante a divisão de um grande latifúndio pertencente a Bento Pires, parte das terras foi adquirida pelo casal português Manoel e Ana dos Reis, que nomearam sua propriedade de Fazenda Pampulha, em homenagem à sua terra natal. Assim, a fazenda acabou por emprestar seu nome à localidade e, posteriormente, à lagoa que transformaria o desenvolvimento urbano de BH.
Antes disso, a Pampulha Velha já era lar do Arraial de Santo Antônio, composto por pequenas propriedades agrícolas e famílias de colonos portugueses e ex-escravizados. A região era rural, situada longe do centro planejado da nova capital, mas mantinha um ritmo próprio. Com a urbanização e a construção da Lagoa da Pampulha na década de 1940, o nome passou a estar intrinsecamente ligado ao espelho-d’água e ao imaginário de Belo Horizonte.