Você sabia que muitos cinemas de rua em Belo Horizonte já não existem mais, mas ainda carregam recordações marcantes? Neste sábado (4), o projeto Rebobina dará início a uma caminhada pelo Centro da cidade, explorando edifícios que, em tempos passados, eram palco de longas filas, pipoca e sessões memoráveis. O intuito é proporcionar aos moradores de Belo Horizonte a oportunidade de relembrar essas narrativas ou conhecê-las pela primeira vez.
A iniciativa é fruto da colaboração entre Lúcio Fonseca, empresário do setor de turismo e um dos fundadores do Ruas de BH, e Rafael Sette, criador do projeto BH a Pé. Desde 2020, os jornalistas Rafael e Luísa Dalcin promovem passeios a pé que desvendam as histórias e personagens de Belo Horizonte, revelando um lado da cidade que poucos conhecem.
A rota, com cerca de quatro quilômetros, passa por locais onde antigos cinemas operavam, muitos dos quais já estão fechados ou mudaram de função. Entre eles, destaca-se o icônico Cine Pathé, que hoje abriga um estacionamento, e o Cine Guarany, localizado na Rua da Bahia, que atualmente é utilizado pela Guarda Municipal.
De acordo com os organizadores, a caminhada vai além da simples visita: ela resgata memórias e ressalta a relevância histórica do cinema nos primórdios da capital. “Belo Horizonte foi fundada em 1897, quase ao mesmo tempo que o cinema. Durante décadas, ir ao cinema foi a principal forma de lazer e uma referência cultural para os habitantes”, observa Sette Câmara. A proposta é que essa experiência se torne um evento regular, com edições a cada dois meses.
Os cinemas também foram cenários de grandes momentos culturais. Por exemplo, o Clube da Esquina teve um de seus momentos fundadores após uma sessão no antigo Cinejax (Cine Tupis), que hoje é ocupado pelo Shopping Cidade. Com a ascensão dos shoppings na década de 1990, muitos cinemas de rua começaram a desaparecer. Alguns edifícios foram demolidos, enquanto outros ganharam novas funções: o Cine Caiçara se transformou em igreja e o Pathé virou estacionamento.
Ainda assim, algumas estruturas se mantêm, ajudando a preservar a memória da cidade. O Cine Theatro Brasil Vallourec, por exemplo, lotou durante a estreia do filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho. O Cine Belas Artes continua em funcionamento, provando que é possível ressignificar e manter viva a tradição dos cinemas de rua.
A caminhada é planejada para grupos de 15 a 20 pessoas e ocorre a cada dois meses. Além de visitar os antigos endereços, o passeio inclui a degustação de uma pipoca mineira, acompanhada de couve e torresmo, e finaliza no Café Palhares, um tradicional ponto de encontro para cinéfilos em Belo Horizonte.
Serviço – Rebobina BH: Caminhada pelos cinemas de rua
Data: sábado, 4 de outubro
Horário: 9h às 13h
Incluso: pipoca, comida e bebida no Café Palhares
Valor: R$ 119
Reservas: Sympla ou pelos perfis do BH a Pé e do Ruas de BH