Doja Cat não tem mais nada a provar. A rapper tem acumulado sucessos, reconhecimento e um exército de fãs ao longo dos últimos anos, especialmente desde sua ascensão global com “Say So”, durante a pandemia. Na noite da última quinta-feira (5/2), em um Suhai Music Hall lotado, a artista americana reafirmou sua posição como uma das maiores performers da atualidade, apresentando um espetáculo sofisticado e vibrante.
Embora seu álbum mais recente, “Vie”, não tenha alcançado o sucesso esperado e não tenha emplacado faixas nas paradas, como suas produções anteriores, isso não diminuiu a energia do público, que vibrou com as ótimas, mas subestimadas, “Gorgeous”, “Take Me Dancing” e “Cards”, logo no início do show.
A atmosfera lembrava uma apresentação de funk dos anos 70, com uma banda talentosa, duas vocalistas de apoio e um figurino elegante. O palco, simples, mas impactante, era adornado com LEDs e uma passarela, onde Doja exibiu seu vasto talento. Ao longo da apresentação, a rapper intercalou novas músicas, que possuem um toque nostálgico, com seus grandes sucessos, como “Kiss Me More” e “Paint the Town Red”.
Para aqueles acostumados com as versões dos serviços de streaming, a performance pode ter sido decepcionante por não apresentar as características sonoras originais. No entanto, para mim, foi uma excelente forma de inovar e conectar toda a narrativa de sua carreira com sua fase atual, mais centrada no pop.
Apesar dos muitos e merecidos elogios à produção, o verdadeiro destaque foi o rap de Doja. Com o microfone em mãos, ela combina um flow veloz com vocais altos e afinados, algo que deixaria muitas de suas colegas exaustas. Para ela, isso parece ser uma habilidade inata.
No segmento dedicado a faixas mais intensas, como “Demons”, “Ain’t Shit”, “Need to Know” e “Wet Vagina”, Doja deu um show à parte. Sua dança performática e os gestos no palco são hipnotizantes. A rapper se contorce, brinca com movimentos complexos e se arrasta pelo chão de forma impressionante, lembrando a presença de palco de ícones como Iggy Pop.
Um aspecto que pode ser aprimorado é a timidez da cantora. Ela interagiu pouco com o público e optou por um show mais direto. Nos breves momentos em que agradeceu aos fãs brasileiros, sua sinceridade e simpatia se destacaram.
Nos últimos 15 anos, a indústria musical tem buscado incessantemente a “próxima Lady Gaga”, especialmente em termos de impacto e originalidade. Entre as muitas apostas frustradas do pop, Doja Cat é a que mais se aproxima desse ideal. Estamos ansiosos por mais apresentações solo da rapper no Brasil, e torcemos para que ela venha em todos os seus estilos. Estarei na fila desde já!
Nota: 9/10