Periodicamente, a música originária do Norte do Brasil ganha destaque e se torna a sensação do país. Embora artistas como Gaby Amarantos e Joelma mantenham uma presença constante, os ritmos tradicionais da região eram frequentemente vistos como um segmento específico. No entanto, em 2025, esse panorama mudou. Desde a participação de Joelma no festival The Town até a popularidade explosiva do “Rock Doido”, os sons autênticos do Pará passaram a ser amplamente reconhecidos, promovendo o surgimento de novas estrelas, como Zaynara. Em uma conversa com o portal LeoDias, a artista responsável pelo beat melody compartilhou detalhes sobre a criação de seu novo álbum, “Amor Perene”, e os aspectos que contribuíram para que Belém se tornasse a capital da música brasileira este ano.
“Desde sempre, tive o desejo de contribuir com a música brasileira que vem do Norte, especialmente a proveniente da Amazônia. Queria fazer parte dessa nova geração de artistas que representam nossa região com tanta garra”, declarou Zaynara.
A jovem de 24 anos tem apresentado uma trajetória notável. Após conquistar uma base sólida de fãs com seu álbum de estreia, o aclamado “É Beat Melody”, Zaynara busca seguir os passos de ícones como Gaby Amarantos, Fafá de Belém, Joelma e Dona Onete. Ela se posiciona como a voz da geração Z no que se refere ao próximo ritmo nacional do Brasil, o que pode ser percebido em seu já famoso single “5 Estrelas”, em colaboração com Tierry.
“Minha intenção foi criar uma música que refletisse a originalidade da minha região, mas que também pudesse ressoar com um público mais amplo. Esse foi um desafio: desenvolver algo que pudesse alcançar todo o Brasil sem perder a essência e a regionalidade que me formam. O beat melody é exatamente isso: uma fusão do brega paraense com elementos eletrônicos e influências que sempre estiveram presentes na minha vida. O álbum é diversificado, incluindo bachata, arrocha, beat melody e ritmos latinos dançantes. Queria trazer essa mistura vibrante e viva que é tão característica do Pará”, explicou.
Esse reconhecimento cultural não deve ser visto apenas como uma ocupação de nicho, mas como uma afirmação de espaço no cenário nacional. Para Zaynara, a música da Amazônia é, de fato, música brasileira. E o público está abraçando essa ideia.
“É gratificante ver esse reconhecimento e me distanciar cada vez mais da noção de ‘música regional’. O que se faz na Amazônia é parte da cultura brasileira. Cada ritmo tem seus elementos, mas é indiscutivelmente uma expressão da nossa identidade nacional. Fico feliz que esteja alcançando todos os cantos do país. É para isso que trabalhamos tanto. Muita dedicação”, celebrou.
Quem já conhece os ritmos tradicionais do Norte e ainda não se deparou com Zaynara está perdendo tempo! Em 2024, a jovem artista foi premiada como Revelação do Ano pelo Multishow, acrescentando mais um troféu a uma já impressionante coleção de conquistas. Com seu segundo álbum, “Amor Perene”, suas ambições são ainda mais elevadas.
“Este é meu segundo álbum de estúdio. O primeiro me abriu portas e me concedeu o Prêmio Revelação do Multishow, algo que teve grande relevância não apenas para mim, mas para toda a minha região. Hoje, sinto que estamos sendo mais ouvidos, e o rock doido se estabelece como um gênero que faz parte da minha vivência e do meu show. Lançar este álbum agora é especial, pois ele representa a força da música produzida na Amazônia e o potencial de alcançá-la em todo o mundo”, comentou.
Zaynara descreve seu novo projeto como intenso e dramático, inspirado pelos rios do Pará.
“Amor Perene” é um álbum vibrante, cheio de emoção e, em certos momentos, dramático — e sinto que isso também me define. Ele foi concebido com os rios em mente. Cresci em uma vila às margens de um rio, e todas as faixas têm alguma relação com isso. Mesmo ao falar de dança, refiro-me ao movimento dos rios e como eles fluem. Ao ouvir o álbum, é possível sentir essa conexão. O título reflete essa ideia: os rios perenes são vivos e constantes”, revelou.
A mensagem do disco é sobre amor próprio e aceitação, encontrando estabilidade na autoimagem e na autoestima em meio ao turbilhão da vida.
“Fiz uma analogia com os relacionamentos humanos, sejam amorosos ou não. Todos enfrentamos períodos de altos e baixos, mas a relação que temos conosco mesmo precisa ser duradoura. O cuidado e o amor-próprio devem permanecer. O álbum fala sobre viver essas fases, cometer erros, se perder e se reencontrar. Em uma das músicas, menciono que não gosto de errar — e é sobre isso: aceitar os erros e acolher a si mesmo novamente. Essa é a mensagem que quero transmitir”, afirmou.
Com apenas 24 anos, Zaynara considera “Amor Perene” um marco em sua carreira, onde se aventurou mais na composição.
“É a primeira vez que trago minhas letras de forma mais direta em um álbum. Sempre escrevi, mas agora me sinto pronta e confiante para me expor mais. Este trabalho representa uma verdadeira virada na minha trajetória”, disse.
Para o futuro, ela planeja um clipe para sua canção favorita, “Amazônia Menu”, e uma turnê especial pelo Brasil: “A jornada de Amor Perene não para com o álbum!”, exclamou, fazendo um ar de mistério.
Além de levar os sons do Pará para todo o mundo, Zaynara tem um sonho especial: “Meu dueto dos sonhos seria com a Ivete Sangalo. Ela é incrível!”, brincou.