O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira, dia 1º de novembro, que está monitorando de forma bastante próxima as eleições presidenciais que ocorrerão no Brasil em três dias, no próximo domingo. A afirmação foi feita durante sua saída da Casa Branca, quando uma jornalista o questionou sobre o assunto antes de embarcar em uma aeronave com destino ao Texas. Trump afirmou que acompanha o processo eleitoral brasileiro com atenção, destacando a importância do país na região, embora não tenha manifestado apoio explícito a qualquer dos candidatos em disputa.
Durante a entrevista, Trump enfatizou a relevância do Brasil como uma nação de grande importância geopolítica, ressaltando que considera o povo brasileiro “fantástico” e que a eleição é de extrema relevância. Sua fala, no entanto, evitou citar nomes ou posições favoráveis a candidatos específicos, diferentemente de declarações recentes feitas por ele em outros contextos eleitorais, como na Colômbia, onde já manifestou apoio a determinados candidatos.
A manifestação de Trump ocorre em um momento de tensões diplomáticas entre os governos brasileiro e norte-americano. Recentemente, surgiram preocupações quanto à possibilidade de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, assunto que tem ganhado destaque na análise de especialistas e de órgãos de inteligência. Em setembro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou um relatório que aponta riscos de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026, classificando a ameaça como de “nível de criticidade”. O documento também destaca que a prioridade do segundo mandato do presidente Donald Trump, caso fosse retomado, seria reafirmar a hegemonia dos EUA na América Latina, com o objetivo de afastar rivais como a China de ativos estratégicos, recursos naturais e infraestruturas na região.
Segundo o relatório da Abin, o governo norte-americano intensificou suas ações relacionadas ao Brasil nos últimos meses, incluindo medidas econômicas e políticas que, na avaliação da inteligência brasileira, prejudicam interesses nacionais. Como exemplo, a agência cita a recusa do governo brasileiro em conceder vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA em julho, que pretendiam conversar com autoridades eleitorais brasileiras sobre questões relacionadas à liberdade de expressão e aos questionamentos sobre as urnas eletrônicas. Essa visita foi planejada após eventos envolvendo políticos brasileiros que contestaram a integridade do sistema eleitoral brasileiro, especialmente as urnas eletrônicas, o que elevou as tensões no cenário político e diplomático.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil alertaram para possíveis riscos de ações cibernéticas e de manipulação por plataformas digitais, reforçando a preocupação de que interesses estrangeiros possam tentar influenciar o resultado das eleições brasileiras por meios não convencionais. Essas movimentações, somadas às declarações e ao monitoramento internacional, evidenciam o clima de atenção redobrada ao processo eleitoral brasileiro, sobretudo no contexto de tensões diplomáticas e de segurança.
A postura de Trump, de acompanhar o pleito de perto sem declarar apoio explícito, reflete uma estratégia de manter-se atento aos desdobramentos sem se envolver diretamente, em um momento de crescente atenção internacional às eleições brasileiras.