O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) realizou nesta quarta-feira, 24 de outubro, uma operação no gabinete do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília. A ação faz parte de uma investigação em andamento que teve início após a descoberta de conversas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que citam o nome do magistrado, indicando possíveis ligações com os fatos sob apuração.
A operação foi autorizada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, e executada pela Polícia Federal (PF). As buscas ocorreram em um momento de intensificação do CNJ em investigações relacionadas ao setor de precatórios e operações financeiras envolvendo o Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O procedimento ocorre um dia após o órgão determinar o cancelamento de precatórios de usinas do setor sucroalcooleiro que negociaram créditos com o Banco Master, uma medida que visa reverter decisões judiciais que, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), teriam autorizado o depósito de valores de aproximadamente R$ 4,7 bilhões em contas judiciais sem o trânsito em julgado dos processos.
Este episódio dos precatórios bilionários veio à tona após uma reportagem do portal Metrópoles revelar a existência de um contrato de R$ 427 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos, do qual Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, é sócia. Segundo informações oficiais, o contrato prevê o pagamento de honorários em caso de sucesso nas ações relacionadas ao setor sucroalcooleiro, mas a firma afirma que não recebeu qualquer valor a título de pró-labore ou de êxito até o momento.
A investigação do CNJ também revelou que, em conversas no celular de Vorcaro, assessores do ex-banqueiro fizeram menção à advogada Camilla Ramos e ao desembargador Newton Ramos, referindo-se a eles como integrantes da “Turma do KN”, uma expressão que faz referência ao ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa ligação indireta reforça as suspeitas de envolvimento ou influência de figuras de destaque do Poder Judiciário nas operações financeiras relacionadas aos precatórios e às negociações do setor sucroalcooleiro.
Em nota oficial, Newton Ramos afirmou que permanece no cargo e que considera “natural e regular” o procedimento de correição realizado pelo CNJ. Além disso, a defesa do desembargador destacou que ele não possui qualquer envolvimento com as ações investigadas e que está colaborando com as investigações. A assessoria do magistrado também ressaltou que ele não trocou mensagens com Vorcaro nem autorizou qualquer pessoa a falar em seu nome.
Por sua vez, Nunes Marques declarou que nunca trocou mensagens com Vorcaro nem autorizou terceiros a falar em seu nome, afastando qualquer alegação de ligação direta com os fatos que estão sendo apurados. A operação do CNJ reforça o esforço do órgão de fiscalização do Judiciário em combater possíveis irregularidades envolvendo magistrados, advogados e agentes financeiros ligados a processos de grande impacto econômico e político no país.