A Qualcomm anunciou que espera atingir a marca de US$ 15 bilhões em vendas no segmento de data centers até o ano de 2029. A previsão surge em um contexto de expansão dos negócios da empresa, que tradicionalmente se destacou na fabricação de chips para smartphones. A notícia impulsionou as ações da companhia, que registraram uma alta superior a 12% nas negociações após o fechamento do mercado nesta quarta-feira, 24 de outubro.
Em uma apresentação voltada para investidores, o diretor financeiro da Qualcomm, Akash Palkhiwala, detalhou que a expectativa é de que o setor de data centers gere uma receita de US$ 5 bilhões no ano fiscal de 2027. Desse montante, US$ 1 bilhão deve vir de novos contratos com clientes que buscam chips personalizados. A companhia também revisou suas projeções para o faturamento total com chips fora do mercado de smartphones, que deve alcançar US$ 40 bilhões até 2029. Essa estimativa é um aumento significativo em relação aos US$ 22 bilhões previstos anteriormente, com a expectativa de que os smartphones representem apenas um terço da receita total de chips nesse período.
“Seremos verdadeiramente diversificados”, afirmou Palkhiwala, ressaltando a estratégia da Qualcomm de expandir sua atuação para além do setor de telefonia móvel. Essa mudança é considerada essencial, especialmente diante da crescente concorrência e das dificuldades enfrentadas no mercado de smartphones, que inclui a escassez de chips de memória e o desenvolvimento interno de chips por grandes empresas como Apple e Samsung.
Analistas do Bank of America haviam projetado anteriormente que a receita da Qualcomm proveniente do segmento de data centers seria modesta, variando entre US$ 2 bilhões e US$ 5 bilhões anualmente até o ano fiscal de 2027-2028. No entanto, a nova perspectiva da empresa sugere um otimismo renovado em relação à demanda por chips de IA e soluções personalizadas.
Além disso, a Qualcomm revelou que a Microsoft e a Meta Platforms utilizarão seus novos chips de inteligência artificial. A empresa também está em processo de fabricação de chips personalizados para outros dois grandes clientes do setor, conhecidos como “hiperescaladores”, embora os nomes desses clientes não tenham sido divulgados. A nova linha de chips, chamada “High Bandwidth Compute” (Computação de Alta Largura de Banda), é baseada em tecnologia de chips de memória de baixo custo, que são utilizados em smartphones e laptops, ao invés de chips de alta largura de banda, que são mais caros e utilizados por concorrentes como a Nvidia.
Tony Pialis, chefe da divisão de data centers da Qualcomm, destacou o valor significativo que a empresa está oferecendo ao mercado em termos de desempenho e custo-benefício. A Meta, por sua vez, adotará a nova CPU Dragonfly C1000, projetada especificamente para atender às demandas de data centers focados em inteligência artificial, um mercado em que empresas como Arm Holdings e Nvidia também estão competindo ativamente.
Pialis ainda comentou sobre a atração que a Qualcomm tem exercido sobre os “hiperescaladores”, afirmando que a empresa não precisou forçar sua entrada nesse nicho, pois os clientes demonstraram interesse em seus produtos. A expectativa é de que a receita com esses novos contratos comece a ser contabilizada antes do final deste ano.