Foi realizada, nesta quinta-feira (11), uma operação voltada para a desarticulação de uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com ramificações em Sete Lagoas e em outros estados. A Operação 9º Círculo foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio do Grupo de Combate às Organizações Criminosas (GCOC) da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
Ao todo, estão sendo cumpridos 14 mandados de prisão preventiva, com 11 presos até o momento, e 23 mandados de busca e apreensão, por decisão da 5ª Vara de Tóxicos, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de Belo Horizonte. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e valores de até R$ 10 milhões e o sequestro de veículos vinculados aos investigados.
“As requisições às instituições financeiras identificaram 1.289 cartões adulterados associados a entregas de empresas de logística contratadas pelos bancos. A quebra de sigilo bancário revelou movimentação financeira global de mais de R$ 21,9 milhões entre os investigados, distribuída em mais de 87 mil transações”, informa o MPMG.
A investigação identificou que a organização atuava desde, pelo menos, 2023. De acordo com Giovani Avelar Vieira, promotor de Justiça e atual coordenador do Gaeco Minas, a organização tinha duas frentes de atuação. “Uma delas mediante a cooptação de empresas de entrega, de funcionário dessas empresas. Os cartões de crédito eram desviados, tinham seus chips retirados e no seu lugar eram colocados outros chips. O pacote era refeito, encaminhado para essas vítimas”, explicou. Essa técnica é conhecida como “cesárea”.
Com os chips e os dados das vítimas, obtidos por meio de engenharia social e pelo fornecimento de senhas por integrantes especializados, o grupo realizava transações fraudulentas em máquinas de cartão registradas em nome de terceiros.
De acordo com o MPMG, a segunda frente de atuação consistia em: “Abertura fraudulenta de contas bancárias com documentos falsificados em nome de terceiros — sobretudo pessoas idosas e aposentadas — para a contratação irregular de empréstimos e a obtenção de cartões de crédito.” Segundo repassado em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, essa frente de atuação contava com a participação de um funcionário bancário, que usava o cargo para viabilizar a abertura de contas e a remoção de bloqueios de segurança.
As investigações continuam para a identificação completa dos integrantes da organização e a recuperação dos ativos desviados. “O MPMG reforça que as medidas têm caráter cautelar e que todos os investigados respondem ao processo sob a garantia da presunção de inocência”, informou o órgão.
Operação cumpre 14 mandados de prisão contra grupo investigado por fraudes bancárias