O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (11), ao afirmar que o governo brasileiro vai usar os novos dados de redução do desmatamento para responder as críticas feitas por Washington à política ambiental do país.
Durante visita ao Observatório Regional Amazônico (ORA), em Brasília, Lula afirmou que os números serão apresentados internacionalmente e usados para contestar argumentos que, segundo ele, vêm sendo utilizados pelos Estados Unidos para justificar a aplicação de tarifas comerciais contra o Brasil.
“Vamos mandar esses dados para o cidadão do comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior”, afirmou Lula.
Segundo dados apresentados pelo Ministério do Meio Ambiente, os municípios participantes do programa União com Municípios registraram redução de 65,5% no desmatamento entre 2022 e 2025. O governo também destacou queda de 69,7% nos alertas de desmatamento na área de influência da BR-319 no mesmo período.
Lula disse que os resultados reforçam a meta do governo de alcançar o desmatamento zero até 2030.
“Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a desmatamento zero até 2030”, declarou.
O presidente também voltou a questionar as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para medidas comerciais contra o Brasil. Segundo ele, o governo brasileiro já contestou argumentos relacionados ao déficit comercial e agora pretende fazer o mesmo na área ambiental.
“Eles mentiram a primeira vez que taxaram o Brasil em 50%, dizendo que tinha déficit comercial. Nós provamos que eles tiveram um superávit muito alto”, afirmou.
Além da questão ambiental, Lula anunciou que pediu ao governo um levantamento comparando os direitos trabalhistas brasileiros e norte-americanos.
“Eu quero comparar o direito dos trabalhadores americanos com o direito dos trabalhadores brasileiros”, disse.
Segundo o presidente, a iniciativa faz parte da estratégia brasileira de responder às críticas vindas dos Estados Unidos em diferentes áreas.
Ao comentar a relação com Trump, Lula afirmou que não busca confronto, mas voltou a defender uma postura mais firme do Brasil diante das declarações do líder norte-americano.
“Já falei para o presidente Trump três vezes: não adianta falar para mim que você tem o navio maior do mundo ou os aviões mais rápidos do mundo. Eu não quero guerra com você. A minha guerra é narrativa.”
Em seguida, o presidente fez a declaração mais dura do discurso.
“A minha tese é provar que você foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos, e eu respeito o voto do povo americano. Mas você não foi eleito para ser imperador do mundo.”
Apesar das críticas, Lula afirmou que deseja manter uma relação baseada no diálogo.
“A gente não quer briga. A gente quer respeito. A gente quer igualdade, civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países”, concluiu.
Os dados completos sobre o desmatamento na Amazônia e em outros biomas brasileiros devem ser divulgados oficialmente pelo governo federal na sexta-feira.