Em uma disputa acirrada entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori, um fator pode ser determinante para o resultado das eleições presidenciais no Peru: a recontagem de votos. O país sul-americano foi às urnas no fim de semana para escolher o (a) próximo (a) líder do país no último fim de semana. A diferença entre os candidatos, nesta quinta-feira (11), era de apenas 651 votos, com 98,216% das urnas apuradas e Fujimori assumindo a ponta.
O Jurado Nacional de Eleições, orgão responsável pela contabilização de votos, divulgou que aproximadamente mil atas — documentos com relatório de votos por cada mesa eleitoral — precisarão passar por nova contagem. A quantidade, comparada ao total de votos no Peru (no total, há 92.700 atas no sistema eleitoral peruano) é pequena. Mas, a disputa na apuração é tão acirrada, que as atas revisadas podem redefinir o resultado.
Na manhã de quinta, Keiko Fujimori, candidata da Força Popular, e Roberto Sánchez, da Juntos pelo Peru, tinham menos de 600 votos de diferença. Cada ata pode ter até 300 votos, segundo o sistema eleitoral peruano. Logo, até cerca de 300 mil votos ainda podem ser revisados. O Jurado Nacional de Eleições não divulgou quantos votos estão em revisão.
As recontagens podem ser feitas por diferentes fatores, como:
O trabalho de revisão pode estender o prazo para um resultado final das eleições. O chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Bernardo Pachas afirmou que o (a) novo (a) presidente deve ser eleito em duas semanas, ou até o fim do mês de junho. Mesmo assim, o ritmo da apuração está dentro do padrão peruano.
Keiko Fujimori assumiu novamente a liderança na apuração dos votos do segundo turno das eleições presidenciais do Peru nesta quinta-feira (11). Após três dias atrás de Roberto Sánchez, a candidata conservadora está com o maior número de votos. Mas, a diferença entre eles é pequena: 50,002% contra 49,998%.
A virada de Fujimori aconteceu após a contabilização de votos entre os peruanos no exterior: 63,42% contra 36,57% de Sánchez — candidato que é mais forte nos redutos rurais do Peru.
Os primeiros dados oficiais da apuração foram divulgados às 22h de domingo (7), pelo órgão eleitoral do pais. Na ocasião, Keiko Fujimori assumiu a liderança, com cinco pontos percentuais à frente de Roberto Sánchez. Porém, a diferença entre os candidatos foi diminuindo ao longo dos dias.
Na segunda-feira (8), a vantagem de Keiko reduziu e a conservadora passou a ter menos de um ponto de vantagem sobre Sánchez. Durante a tarde, às 13h07, Sánchez ultrapassou Keiko e, desde então, Sánchez se mantém à frente.
Na quarta-feira (10), 98% das urnas do Peru já haviam sido abertas e contabilizadas. No exterior, a apuração está em 67,36%, com Keiko Fujimori bem à frente do adversário, com 62,46% dos votos contra 37,54%. Por outro lado, Sánchez é mais forte no interior do país.
Fujimori e Sánchez representam projetos políticos antagônicos. De um lado, Keiko Fujimori, de 51 anos, tenta chegar à Presidência pela quarta vez. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e busca se beneficiar do legado deixado pelo pai, lembrado por apoiadores pela estabilização econômica e pelo combate aos grupos insurgentes, mas também criticado por violações de direitos humanos e práticas autoritárias.
Do outro lado está Roberto Sánchez, de 57 anos, ex-ministro e congressista que se apresenta como herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo. Castillo foi destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022, em uma ação classificada pelas autoridades como tentativa de autogolpe.