Com a aproximação do Oscar 2026, o Brasil se destaca com a presença do filme “O Agente Secreto” em quatro categorias. Esta é a segunda vez consecutiva que o país marca presença na premiação, com a expectativa de conquistar mais estatuetas douradas. A Itatiaia traz uma visão dos bastidores dessa produção que representa o Brasil no evento.
Sob a direção de Kleber Mendonça Filho, aclamado por filmes como “Bacurau” e “Aquarius”, “O Agente Secreto” ganhou destaque internacional no Festival de Cannes e chega ao Oscar com quatro indicações significativas. As categorias incluem Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção de Elenco, colocando a obra entre os grandes sucessos do cinema brasileiro em premiações no exterior.
Ambientado na década de 1970, o thriller político combina suspense e uma rica reconstrução histórica, contando com um elenco notável. A trama se desenrola em 1977, em um dos momentos mais sombrios da ditadura militar no Brasil. O protagonista, Marcelo, interpretado por Wagner Moura, é um professor universitário especializado em tecnologia que busca escapar de um passado repleto de perseguições políticas em São Paulo.
Ao tentar recomeçar, ele retorna a Recife, sua cidade natal, na esperança de encontrar paz e reatar laços com o filho. Sua chegada, porém, coincide com o Carnaval, momento em que a cidade é invadida por festividades. Contudo, essa busca por refúgio logo se transforma em uma experiência de tensão, à medida que Marcelo percebe que está sendo vigiado por seus vizinhos e que a atmosfera de medo e controle permeia a vida cotidiana. A procura por segurança se transforma em um suspense cada vez mais opressivo.
O filme conta com um elenco considerado um dos mais robustos do cinema brasileiro contemporâneo, e a cuidadosa seleção dos atores rendeu uma indicação ao Oscar na categoria de direção de elenco.
Um aspecto que se destaca é o investimento na produção, que variou entre R$ 27 milhões e R$ 28 milhões. Embora esse valor seja elevado para os padrões brasileiros, é significativamente inferior aos orçamentos de competidores na categoria de Melhor Filme, que muitas vezes superam os US$ 100 milhões.
Esse investimento foi direcionado principalmente para a fiel recriação da década de 1970. Para isso, diversos bairros de Recife foram transformados, eliminando elementos modernos para capturar a essência de 1977.
A viabilização do filme se deu através de uma estrutura de financiamento tanto internacional quanto nacional, com cerca de R$ 14 milhões provenientes de coproduções europeias envolvendo a França, Alemanha e Holanda, contando com a participação de empresas como a MK2 Films. O projeto também recebeu cerca de R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual, gerido pela Agência Nacional do Cinema, complementado por investidores privados e pela distribuidora Vitrine Filmes.
Antes de sua indicação ao Oscar, “O Agente Secreto” já havia sido reconhecido internacionalmente, tendo conquistado o prêmio de Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho e Melhor Ator para Wagner Moura no Festival de Cannes. Sua presença nas principais categorias do Oscar solidifica o filme como um dos triunfos mais significativos do cinema brasileiro no exterior, um feito frequentemente comparado ao impacto de “Cidade de Deus” nos anos 2000.
O lançamento do filme priorizou as salas de cinema, com estreia comercial no Brasil no final de 2025, sob a distribuição da Vitrine Filmes. Após as indicações ao Oscar, o filme teve um relançamento ampliado nos cinemas brasileiros no início de 2026.
Recentemente, o longa estreou na Netflix, agora acessível aos assinantes da plataforma de streaming. O filme está disponível em 4K e Dolby Vision para os assinantes que optam por essas tecnologias, enquanto os demais podem assisti-lo em qualidade inferior.