A fabricante francesa Renault anunciou, nesta terça-feira (10), sua meta de que até 2030, aproximadamente 50% dos veículos da marca sejam vendidos fora da Europa, com um aumento esperado de 23% nas vendas. Esta estratégia visa fortalecer sua presença em mercados internacionais e garantir competitividade em um cenário global em constante mudança.
A empresa enfrenta uma concorrência crescente de fabricantes chineses de baixo custo, como BYD e Chery, além de rivais tradicionais como a Stellantis, especialmente em seu mercado europeu, o que tem pressionado os preços e afetado as margens de lucro.
Dentro do novo plano estratégico de cinco anos, denominado “futuREady”, a Renault pretende lançar 36 novos modelos, sendo 14 deles fora da Europa, em contraste com apenas oito lançamentos nos últimos cinco anos. Entre esses novos produtos, Fabrice Cambolive, CEO da marca, destacou a introdução de quatro modelos no mercado indiano, com a produção do pequeno SUV Bridger prevista para começar no próximo ano, seguido por lançamentos em outros mercados rapidamente.
Esse foco na expansão internacional reflete uma nova abordagem nas vendas externas, especialmente após a retirada da Renault de vários mercados sob a gestão do ex-CEO Luca de Meo, em uma tentativa de reverter perdas em um processo denominado “Renaulution”. “Com a Renaulution, provamos nossa capacidade de vencer; agora, precisamos demonstrar que podemos manter esse sucesso”, afirmou François Provost, atual CEO, durante uma apresentação a analistas em um centro de pesquisa e desenvolvimento nos arredores de Paris.
Embora a Renault esteja em uma posição mais sólida atualmente, a competição permanece acirrada. A diminuição do suporte a veículos elétricos nos Estados Unidos durante a administração Trump resultou em perdas significativas e mudanças abruptas nas estratégias de alguns concorrentes.
Michael Foundoukidis, analista da Oddo BHF, comentou que o foco na eficiência do lucrativo segmento C e a estratégia de expansão internacional oferecem “um plano claro para manter a margem”, embora a execução desse plano seja crucial. As ações da Renault registraram um aumento superior a 1,3% por volta das 12h05, horário de Brasília, nesta terça-feira (10).