Na semana inaugural do conflito entre Estados Unidos e Israel com o Irã, os preços do petróleo apresentaram um aumento acentuado. Os contratos da commodity dispararam até 35%, à medida que o embate se intensifica e a crise na região se aprofunda. O barril de petróleo Brent, que é a referência internacional negociada na ICE (International Commodities Exchange), registrou uma valorização de 8,52%, fechando a US$ 92,69, acumulando um crescimento de 27,2% desde o início da guerra. Da mesma forma, o WTI (West Texas Intermediate), referência nos EUA, encerrou o dia cotado a US$ 90,90, com um aumento de 12,21%, o que representa uma alta semanal de 35,63% em relação ao fechamento anterior ao conflito no dia 27 de setembro.
“Com o mercado prevendo que a guerra entre os EUA e o Irã pode se prolongar e o Estreito de Ormuz, através do qual transita 20% do petróleo global, enfrentando bloqueios, podemos ver uma redução significativa nos estoques mundiais em apenas 100 dias, se a situação não mudar”, alerta João Abdouni, analista da Levante Inside Corp.
Após uma semana de hostilidades sem sinais de resolução e com o Estreito de Ormuz ainda interditado, os analistas indicam que o mercado já está precificando o risco de escassez de petróleo. “Essa situação ocorre principalmente porque o mercado não reage apenas aos eventos passados, mas também ao risco futuro relacionado à oferta global, que se torna cada vez mais iminente e alarmante. Quando o Estreito de Ormuz enfrenta riscos, com o tráfego comercial praticamente paralisado, todo o mercado de petróleo entra em alerta”, observa Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos.
“Além disso, a produção e as exportações já estão sendo afetadas. Países produtores da região do Golfo estão enfrentando reduções ou interrupções na produção, além de dificuldades de armazenamento, e refinarias asiáticas estão pagando preços mais altos pelo petróleo do Oriente Médio, o que impulsiona a elevação dos preços globais.”
“Hoje, os mercados globais estão operando com uma postura mais cautelosa, refletindo, sobretudo, as tensões envolvendo o Irã e possíveis retaliações contra outras nações. Esse cenário está gerando uma forte alta nos preços do petróleo, reacendendo preocupações sobre a inflação global”, acrescenta Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.