O relacionamento entre Brasil e Nova Zelândia está prestes a ser intensificado, com a assinatura de um inédito acordo cultural em Brasília que abre portas para avanços comerciais e cooperação tecnológica. Essa nova fase de aproximação abrange investimentos em inovação, expansão do agronegócio, intercâmbio educacional e colaborações em produção audiovisual.
Os dados revelam o crescimento substancial dessa parceria, com o comércio entre a Nova Zelândia e a América Latina superando R$ 1,5 bilhão no último ano, sendo o Brasil um ator-chave nesse contexto.
Para fortalecer essas relações, uma delegação de alto nível da Nova Zelândia, liderada pelo ministro de Negócios Estrangeiros Winston Peters, está em um tour pela América Latina. Incluindo membros da oposição, a equipe já visitou Buenos Aires e Montevidéu antes de chegar ao Brasil.
Setores como laticínios, educação, tecnologia e serviços estão na vanguarda desse intercâmbio econômico, enquanto o agronegócio se destaca como pilar central da colaboração. O objetivo do país é claro: dobrar o valor das exportações até 2034.
A Nova Zelândia tem um modelo agrícola altamente eficiente, desenvolvido ao longo de décadas, que inclui técnicas avançadas de genética animal e monitoramento digital, despertando interesse no mercado brasileiro. Essas inovações são relevantes para enfrentar desafios como aumento de produtividade, sustentabilidade e competitividade global.
Esse enfoque foi evidenciado durante o Innovation Showcase, um evento em Brasília que contou com a participação de empresas neozelandesas especializadas em tecnologia aplicada a diversos setores econômicos. O ministro Peters enfatizou os valores comuns entre os dois países, relembrando o histórico confronto entre suas seleções na Copa do Mundo de 1982, em que o Brasil venceu por 4 a 0, destacando ícones como Zico, Sócrates e Falcão.
Ele ressaltou que, apesar da distância geográfica, Brasil e Nova Zelândia compartilham compromissos significativos, como a defesa da democracia e do multilateralismo. “A diplomacia é mais relevante do que nunca”, afirmou.
Peters também mencionou a vontade política clara em Wellington de aprofundar as relações com o Brasil, reconhecendo que houve lacunas nas últimas décadas e expressando a intenção de transformar essa parceria.
Na quarta-feira (4), o Palácio do Itamaraty, em Brasília, foi palco da assinatura de um acordo histórico de coprodução audiovisual entre os dois países. O tratado, assinado pelo chanceler brasileiro Mauro Vieira e pelo ministro neozelandês, estabelece as bases para colaboração entre produtoras em filmes, séries e animações.
Os projetos desenvolvidos em conjunto terão acesso facilitado a financiamentos, incentivos fiscais e acordos de distribuição internacional em ambos os mercados, além de simplificar a circulação de profissionais e a importação temporária de equipamentos para produções audiovisuais.
Durante o evento, a Tait Communications apresentou suas soluções de radiocomunicação para operações críticas. Essa tecnologia permite comunicação eficiente entre múltiplos usuários, uma capacidade vital em situações onde redes celulares falham.
Segundo Ricardo Bovo, CEO da Tait no Brasil, o sistema é fundamental em áreas onde a comunicação celular é ineficaz. “O rádio oferece comunicação um para muitos, enquanto o celular é um para um. Em situações críticas, o celular muitas vezes não serve”, explicou.
Atualmente, esse sistema opera em 13 estados brasileiros, incluindo as forças policiais de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná, utilizando um protocolo criptografado semelhante ao do FBI. O mercado de comunicação crítica no Brasil é avaliado em cerca de R$ 300 milhões anuais.
Outro aspecto relevante da parceria é o intercâmbio educacional. Programas voltados a estudantes de escolas públicas têm ampliado a presença de brasileiros nas instituições neozelandesas, com destaque para os programas Ganhando Mundo e Prontos Pro Mundo, que enviaram mais de mil alunos desde 2022.
A Nova Zelândia também se destaca na indústria audiovisual e de efeitos especiais, setor impulsionado por estúdios associados ao diretor Peter Jackson, conhecido por O Senhor dos Anéis. Produções internacionais de grande sucesso, como Avatar, que venceu o Oscar de efeitos visuais, têm utilizado tecnologia neozelandesa.
A cultura maori, povo originário da Nova Zelândia, influencia as políticas ambientais e educacionais do país, promovendo o conceito de “cuidado com a terra”, que orienta suas práticas de sustentabilidade.
Outro atrativo para estudantes brasileiros é o custo, já que o dólar neozelandês é mais acessível em comparação a outras moedas de destinos tradicionais de intercâmbio. Estudantes podem permanecer no país sem visto por até três meses em cursos e, para programas mais longos, é possível trabalhar até 25 horas por semana.
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