A busca por reconhecimento do presidente Donald Trump, que tem se empenhado em associar seu nome a edificações, espaços públicos e instituições nos Estados Unidos, pode estar a um passo de mais uma vitória: o Aeroporto Internacional de Palm Beach, na Flórida, já obteve a aprovação da Câmara dos Representantes, dominada pelos republicanos, para a alteração de sua denominação.
Essa proposta não surge por acaso, uma vez que está em sintonia com um movimento sem precedentes. A Organização Trump, gerida por dois de seus filhos, requereu o registro da marca para utilizar o nome do presidente ou as iniciais DJT em aeroportos ao longo do país. A empresa garante que não pretende cobrar taxas ou receber royalties em função da mudança de nome, mas esse pedido gerou questionamentos.
“Embora presidentes e figuras públicas já tenham visto locais nomeados em sua honra, é inédito na história dos Estados Unidos que uma empresa privada de um presidente em exercício busque direitos de marca registrada antes mesmo da nomeação de um espaço”, comentou o advogado Josh Gerben, especialista em propriedade intelectual.
Localizado nas proximidades da residência de Trump em Mar-a-Lago, o aeroporto de Palm Beach teve seu projeto de renomeação aprovado com 81 votos a favor e 30 contra na Assembleia da Flórida, e agora segue para análise no Senado.
A proposta de homenagear um presidente em exercício acarreta custos significativos, estimados em aproximadamente US$ 5,5 milhões (cerca de R$ 28,7 milhões), que incluem a criação de nova sinalização, atualização de sistemas tecnológicos e rebranding de equipamentos e uniformes, conforme informações do Condado de Palm Beach.
A região já possui outras homenagens ao atual presidente. Recentemente, um trecho da Southern Boulevard foi rebatizado de “President Donald J. Trump Boulevard”, com a presença do próprio Trump, que expressou sua gratidão: “Amo o povo da Flórida, adoro toda a região de Palm Beach. Estou aqui há muito tempo, e quero agradecer a todos por estarem aqui. Vou me lembrar deste gesto incrível para o resto da minha vida.”
Desde seu retorno à Casa Branca há um ano, Trump tem se esforçado para deixar sua marca em instituições tradicionais do país, conseguindo, por exemplo, que o Centro de Artes John Kennedy e o Instituto dos Estados Unidos para a Paz passassem a incluir seu nome.
Houve rumores de negociações para renomear também o Aeroporto Internacional de Dulles, em Washington, e a Penn Station, em Nova York, em troca de investimentos, gerando reações intensas entre os democratas. Trump negou nesta semana que a ideia de renomear a principal estação ferroviária de Nova York tenha sido sua e atribuiu essa proposta a “certos políticos e líderes sindicais”.
Em geral, homenagens desse tipo ocorrem apenas após os presidentes deixarem o cargo ou falecerem, como foi o caso de John Kennedy, Gerald Ford e Ronald Reagan, que têm seus nomes associados a aeroportos americanos. Ao contrário dessa tradição, Trump demonstra apresso em receber tais honrarias enquanto ainda está no cargo.