O desaparecimento de duas crianças no Maranhão completou um mês nesta quarta-feira (4). As equipes de busca continuam mobilizadas, utilizando helicópteros e realizando caminhadas a pé pela mata, com o auxílio de cães farejadores. As operações incluem varreduras em áreas de difícil acesso e em locais alagados. Para otimizar as buscas, os profissionais recorrem a um aplicativo de georreferenciamento, permitindo mapear as regiões já exploradas. Nesta fase, estão revisitando áreas anteriormente inspecionadas, em busca de qualquer detalhe que possa contribuir para esclarecer o caso.
Allan e Agatha desapareceram há exatamente um mês, quando estavam acompanhados do primo, Anderson Kauã, de 8 anos. Eles deixaram a casa da avó na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, com o intuito de ir até a casa do pai de Kauã. A última vez que foram vistos juntos foi nas proximidades de um atalho na mata. Três dias após o desaparecimento, Kauã foi encontrado em uma estrada de terra, a cerca de 4 km de casa. Ele relatou que os três passaram por uma casa abandonada, que descreveu como “casa caída”, antes de se separarem. Para a família, os irmãos não estão mais na mata.
“É impossível ignorar o número de pessoas que já vasculharam essa área”, afirma Francisca Cardoso, avó das crianças. A polícia informou que já coletou mais de 30 depoimentos e que todas as pistas estão sendo investigadas. “Não podemos afirmar se há um foco principal nas investigações, mas desde o início temos uma linha de trabalho que considera o desaparecimento das crianças na mata, onde poderiam ter se perdido”, declara o delegado-geral Ederson Martins.
“Não desejo essa dor a ninguém. É uma dor insuportável, que só se intensifica a cada dia sem notícias…” desabafa Clarice Cardoso, mãe das crianças.