A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma investigação para determinar se houve obstrução de Justiça relacionada ao caso de influenciadores que afirmam ter sido contatados para criar conteúdos criticando o Banco Central (BC) e defendendo o Banco Master. Essa será a principal questão legal que os investigadores irão analisar.
De acordo com informações obtidas, a apuração buscará entender se a campanha paga para veicular postagens favoráveis ao Banco Master tinha como objetivo desestabilizar o sistema financeiro do Brasil, especialmente após a decisão do BC de liquidar extrajudicialmente o banco, uma medida que foi tomada em novembro do ano passado.
O inquérito também visa investigar se as publicações funcionaram como uma forma de desinformação planejada e remunerada, o que poderia configurar um crime. Além disso, estão sendo analisadas possíveis interferências na condução do processo do Caso Master.
Conforme a legislação brasileira, o crime de obstrução de Justiça ocorre quando alguém “impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva organização criminosa”. Esta infração, segundo a lei que define organizações criminosas, pode resultar em pena de reclusão de três a oito anos, além de multa.
A abertura deste inquérito foi autorizada pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. A PF já realizou uma análise preliminar das postagens e identificou indícios de crimes, solicitando ao STF autorização para aprofundar a investigação, com o intuito de apurar uma possível ação coordenada contra o BC.
Recentemente, influenciadores revelaram ter recebido propostas para promover a ideia de que a liquidação do banco foi “precipitada”, conforme divulgado pelo blog de Andréia Sadi, no g1. O caso veio à tona após influenciadores de direita, como Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite, compartilharem que foram abordados para disseminar em suas redes sociais narrativas em defesa do Banco Master.
Esses influenciadores relataram que o objetivo era criar vídeos que desafiassem a posição do BC e questionassem suas ações. Outros criadores de conteúdo contatados pelo g1 também mencionaram propostas semelhantes, que envolviam um contrato de três meses para a publicação de oito postagens mensais, sendo que as abordagens começaram em dezembro.