No ano de 2025, os brasileiros desembolsaram um total de US$ 21,7 bilhões em viagens internacionais, marcando um aumento em relação aos US$ 19,7 bilhões registrados em 2024. As informações foram publicadas pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (26).
Conforme a série histórica revisada pelo BC, que data de 1995, este é o maior valor visto desde 2014, ou seja, em uma década. O crescimento das despesas dos brasileiros no exterior em 2025 ocorreu em um contexto de aquecimento da economia nacional, com elevação do PIB (Produto Interno Bruto) e aumento da renda, além da desvalorização do dólar.
O ano de 2025 foi marcado por uma significativa queda do dólar a nível global, com a moeda americana perdendo 11,18% de seu valor em relação ao real no Brasil, o maior recuo em quase uma década — em 2016, a desvalorização foi de 17,8%. As despesas relacionadas a passagens, hospedagens e aquisições de produtos e serviços no exterior são afetadas pela cotação da moeda estrangeira, resultando em gastos menores para os brasileiros quando o dólar está mais barato.
A deterioração das contas externas é atribuída principalmente ao desempenho da balança comercial, que registrou um superávit de US$ 59,9 bilhões em 2025, embora o saldo positivo tenha sido maior em 2024, alcançando US$ 65,9 bilhões. Por outro lado, a conta de serviços, que abrange receitas e despesas relacionadas a transporte, seguros, serviços financeiros e viagens internacionais, apresentou um déficit de US$ 52,9 bilhões em 2025, uma leve melhora em relação ao saldo negativo de US$ 55,2 bilhões registrado em 2024.
Além disso, a conta de renda (primária), que considera remessas de lucros, dividendos e juros, também obteve um resultado negativo, totalizando US$ 81,3 bilhões em 2025, mantendo-se estável em relação ao ano anterior.
Aumento do IOF
Apesar do aumento do IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) sobre operações de câmbio, os gastos continuaram a subir. Em maio, o governo anunciou um incremento na alíquota de IOF para a compra de moeda estrangeira em espécie, que subiu de 1,1% para 3,5%, assim como para remessas destinadas a contas de brasileiros no exterior. Anteriormente, os viajantes utilizavam a compra de moeda em espécie e as remessas para evitar taxas mais altas no cartão de crédito, que também teve sua alíquota elevada para 3,5%.
Turistas estrangeiros no Brasil
Paralelamente, os dados do BC indicam que os gastos de turistas estrangeiros em viagens ao Brasil também cresceram, totalizando US$ 7,8 bilhões no ano passado, estabelecendo um novo recorde. Desde 1995, este é o maior valor já registrado, superando o recorde anterior de US$ 7,34 bilhões em 2024. O Ministério do Turismo informou que o Brasil recebeu 9,29 milhões de turistas estrangeiros, o maior número já documentado, o que equivale a quase três mil voos internacionais aterrissando no país durante esse período.